27/11/2010

Montenegro

Logo que chegamos a Dubrovnik, tratamos de nos informar sobre um dos principais objetivos de nossa viagem: dar uma escapada para conhecer o país mais novo do mundo. Montenegro fica a apenas alguns minutos de Dubrovnik e só em 2006 se tornou um país independente. Até então, era parte do país chamado Sérvia e Montenegro, que até 2002 ainda levava o nome "Iugoslávia".

No próprio albergue, conseguimos com a neozelandesa Fiona, a encarregada dos passeios, reservas num tour pelo pequeno país no dia seguinte. Pagamos cerca de 180 reais por pessoa por todo o trajeto, antecipadamente. A saída ficou marcada para as 8h da manhã seguinte, na frente do Hotel Hilton, logo depois do portão de Pile, do lado de fora da cidade antiga.

A opção por um tour fechado foi quase lógica para quem não quer passar mais do que um dia em Montenegro - coisa que, embora perfeitamente possível, não estava nos nossos planos. Há apenas uns dois ou três ônibus por dia em cada sentido, levando bem mais tempo do que numa van ou microônibus de excursão.

Na hora marcada, estávamos lá dentre os primeiros que chegaram. Fizemos o café da manhã ali na rua mesmo, enquanto esperamos a saída da excursão, comprando uns croissants na padaria em frente ao hotel mais luxuoso da cidade. Havia um casal de velhinhos da Irlanda do Norte, mais um casal americano de meia idade, um grupo de 4 gordinhas americanas mais jovens, mais uns australianos. De latinos mesmo, só nós quatro.

A guia que se apresentou não poderia ser mais sem graça e antipática. As informações que ela foi pssando se resumiam àquilo que se leria num Almanaque Abril: população dos lugares, data de independência, atividade econômica principal. Quando perguntávamos alguma coisa mais inteligente é que ela saía desse esquema ridículo de informações. O motorista, um gurizão com cara de cínico, só escutava com um ar de reprovação, alternando com uns chamegos para cima da guia.

A saída de Dubrovnik em direção à fronteira com Montenegro é um espetáculo para os olhos. À medida que se vai subindo, a visão da cidade, pequenina lá embaixo, via enchendo os olhos. Passamos ainda por umas prainhas mais tranquilas e por cidades menores, próximas ao aeroporto, cuja atividade principal é a produção de vinhos. São áreas bem luxuosas, que estão se enchenco de "villas" privadas de alto padrão.

Não demorou mais do que meia hora para que chegássemos à fronteira. Levamos uns 10 minutos para cruzar o posto de controle croata, onde ganhamos um carimbo de saída do país. Do lado montenegrino, apenas uma ficha de controle foi entregue ao fiscal; os passaportes não foram tocados. No celular, a mensagem da operadora dando as boas vindas a Montenegro (Crna Gora, em montenegrino), confirmava que já havíamos deixado a Croácia.
À primeira vista, a paisagem de Montenegro era totalmente diferente da croata, e mesmo do que eu imaginava. Começamos a descer morros sem parar, rodeados por florestas de pinheiros por todos os lados. A estrada, em perfeito estado de conservação, dava as boas vindas aos turistas com outodoors de marcas de luxo (Rolex, Porsche) e de propagandas do governo, chamando para investir no país.

Cheguei a achar que estávamos realmente entrando num filme do James Bond (o Cassino Royale tem uma história que envolve Montenegro) quando comecei a ver as concessionárias de carros luxo naquela estrada, sem mais nada ao redor. Nossa "parada para lanche" foi num freeshop de beira de estrada, recheado de chocolates suíços e bebidas.

Não demorou muito, porém, para que voltássemos ao Mediterrâneo, com cidades que bem poderiam estar na Croácia, na Eslovênia ou na Itália. Herzeg Novi foi o primeiro lugar por onde passamos - o extremo norte do litoral montenegrino.
Herzeg Novi é uma sucessão de morros, com a estrada passando por cima, cheia de casas de praia. As ruas são estreitas e apinhadas de carros de russos e sérvios, os turistas que mais usam as praias do país para o veraneio. Nem chegamos a parar na cidade, porque o primeiro ponto do passeio só seria a Baía de Kotor, de que falarei no próximo post.

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