02/03/2011

Valparaíso - parte I

A maioria das pessoas que quer conhecer Valparaíso faz isso num passeio de bate e volta a partir de Santiago, por sua própria conta ou em excursões organizadas. A distância de 132km não demora mais do que duas horas para ser percorrida tanto na ida como na volta, mas querer incluir num dia só Valparaíso e Viña del Mar, cidade quase colada a ela, é um pouco corrido demais e pode significar apenas uma visão superficial dos cartões-postais das duas cidades.

Na primeira vez que fui, com minha mulher, programos duas noites num hotel em Viña, bem próximo à estação rodoviária e ao metrô, para poder conhecer as duas cidades com mais tempo e quem sabe até pegar uma praia. Na outra vez, com os guris que foram ver o jogo comigo, fizemos o bate e volta de que falei acima.

Valparaíso e Viña são como cidades gêmeas, numa só região metropolitana (há metrô entre elas, inclusive). Em "Valpo", como se fala abreviadamente o nome da cidade, fica o porto (não há praias), o Congresso Nacional, a maioria das instalações da Marinha chilena e um casario histórico que remonta ao século XIX e ao início do século XX, quando o lugar ainda tinha uma importância comercial internacional. Em Viña, fica a praia, os cassinos, os lugares de eventos e prédios mais modernos.

Do ponto de vista histórico, cultural e etc., Valparaíso é uma cidade única - e muito mais interessante para quem gosta dessas coisas do que Viña. O centro histórico da cidade foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e, embora esteja sendo constantemente ameaçado pela falta de investimento em restaurações, ainda conserva a maior parte dos seus famosos ascensores (funiculares) funcionando e dos prédios em pé.

O lugar é um pouco caótico e até mesmo os guias turísticos escritos desencorajam um pouco o visitante, falando para ficar atento a batedores de carteira, a ruas muito desertas ou mesmo à truculência no trânsito complicado dos cruzamentos de múltiplas ruas. Mesmo assim, é muito mais limpo e organizado que São Luís do Maranhão ou Salvador, cidades brasileiras com as quais poderia ser comparada.
A peculiaridade e o encantamento de Valparaíso decorrem especialmente do fato de ser uma cidade toda construída em morros, voltados para o mar, ao longo de uma baía em que fica o porto da cidade. Para facilitar o sobe e desce, foram construídos diversos ascensores, ou elevadores, que dão acesso às partes mais centrais de cada morro. São mais de 19 em operação até os dias de hoje, muito embora sejam feitos de madeira e engrenages de ferro do início do século, sendo operados de maneira quase artesanal por uns poucos centavos de ingresso pagos por cada pessoa que os usa.

A elite do lugar, que era bastante grande nas época áureas em que a cidade era um entreposto comercial importante (antes do Canal do Panamá, os navios entre a costa oeste americana ou a Ásia que queriam ir para a Europa tinham que descer pela Patagônia e encostavam em Valparaíso para se reabastecer ou fazer trocas), construiu casarões que parecem pequenos palácios e que hoje abrigam vários centros culturais, hotéis butiques e restaurantes. Na virada do ano, são concorridíssimos, porque há um show de fogos na baía.
O próprio Pablo Neruda mantinha uma casa na cidade, que usava especialmente para passar o reveillon ou para escrever sozinho, longe da família.

Para quem quiser chegar na cidade por conta, há duas formas bastante fáceis:

1 - pegar um ônibus em Santiago (nas empresas Turbus e Pullmann, eles saem a cada 15 ou 20 minutos dos terminais na Alameda) e descer na estação rodoviária em frente ao Congresso Nacional. De lá, basta pagar alguns trocados e pegar um ônibus elétrico ou convencional (ambos caindo aos pedaços) que vai para a parte mais antiga da cidade, ao redor do prédio sede da Marinha, ou mesmo um táxi. Não vale a pena caminhar nessa parte porque além de não ter nada interessante, dizem ser meio perigosa.

2 - pegar um ônibus até a rodoviária de Viña del Mar (ou se estiver dormindo em Viña, também da mesma forma) e de lá pegar o metrô até Valparaíso. Há três estações em que se pode descer, uma em frente ao muelle Francia, outra perto do cerro Bellavista e a do Puerto, que é o final da linha e a mais próxima da maioria das atrações da cidade. Para andar no metrô, no entanto, é preciso comprar por cerca de R$1,50 um cartão recarregável para usar nas catracas eletrônicas.

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