22/01/2013

Alcobaça


Alcobaça é uma cidadezinha a cerca de meia hora de Óbidos, com menos de 20 mil habitantes, mas com uma cara de cidade normal, com vida própria. O motivo pelo qual as pessoas a visitam se resume a um só: o mosteiro que leva o seu nome.

O mosteiro de Alcobaça é considerado como a primeira obra gótica de Portugal e (mais uma vez colando da Wikipedia), foi mandado erguer por volta de 1147. Dá para entender bem a história do lugar durante a visita, na primeira sala ao lado da igreja principal, onde existem murais de azulejos por todas as paredes, contando as razoes pelas quais se fez um prédio tão grande naquele lugarejo no meio do nada.


Basicamente, o mosteiro é o pagamento de uma promessa de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, depois de ter vencido uma das inúmeras batalhas que travou. Para isso, ele chamou monges beneditinos, da região de Cluny, na França, para ocupar o lugar.

Na igreja principal, próximo do altar, estão os túmulos de dois importantes personagens da história portuguesa: o rei D. Pedro e D Inês de Castro, sua amada. Muitos já devem ter ouvido a expressão “Inês é morta”, e é dessa Inês que estão falando. D. Pedro queria se casar com D. Inês, mas seu pai não deixou, por influencia da corte, que a considerava filha de um inimigo do país. Para evitar o namoro e o casamento, acabaram matando D. Inês, mas mesmo assim, depois que assumiu o trono, D. Pedro teria determinado que o cadáver da amada fosse tratado como rainha, obrigando a corte a beijar sua mão, mesmo morta.

Além dos túmulos, a igreja impressiona pela grandeza. As colunas são muito, muito altas, e a nave central bastante extensa. (Do lado de foram paradoxalmente, a fachada é barroca, contrastando com o interior gótico.)

A parte mais interessante é o mosteiro em si, onde estão os quartos dos monges, a sala capitular, o pátio do claustro, os refeitórios e as surpreendentes cozinhas. A arquitetura das salas e dos quartos (hoje vazios) lembram bastante prédios franceses, como a Conciergerie, de Paris.








Para quem já leu livros como “O Nome da Rosa”, ou curte história medieval, visitar um lugar assim é uma aula. Dá para imaginar os caras mexendo caldeirões de comida naqueles “fogões” enormes. É surpreendente também o modo como se trazia água pura de fora para dentro do mosteiro e a forma como eram dados os restos aos pobres que vinham ao convento pedinchar.

No salão do refeitório, num estilo meio Harry Potter, dá para imaginar os monges comendo enquanto outros faziam leituras, orações ou cânticos dos púlpitos elevados ao lado de colunas.

Gostei muito do lugar, mas confesso que não é para todo mundo. Se não curte história e também não conhece nada da época medieval, de monges e cavaleiros e tudo mais, o melhor é encontrar outros lugares em Portugal para conhecer. 

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