03/11/2008

A crise e o câmbio

Embora a crise financeira mundial não tenha chegado com tanta força ao Brasil como em outros países, sob o ponto de vista da estabilidade dos bancos, do crescimento econômico e do risco de quebras generalizadas, fato é que o Real foi uma das moedas que mais se desvalorizou desde setembro.

Os gráficos que aparecem nesse post representam a variação dos últimos 6 meses nas taxas de câmbio entre o Real e as moedas dos países mais visitados pelos mochileiros brasileiros na América e na Europa.

Por motivos de conveniência e de facilidade de visualização, alguns estão em Real X moeda estrangeira, outros em moeda estrangeira X Real.

Mas o que eu quero mostrar com isso?

O que quero demonstrar é que a desvalorização do real não foi tão forte assim com relação a algumas moedas, o que significa que o prejuízo não será tão grande se os planos de alguém viajar para esses países forem mantidos. Observe:

Dólar (usado nos EUA e referência para passagens aéreas, freeshops, etc): aqui a coisa foi feia. Nosso dinheiro perdeu bastante valor e o prejuízo em gastar em dólares agora vai ser grande. Estamos num ponto em que não estávamos há pelo menos 2 anos (se bem que em outubro chegamos a estar pior).
Bolivianos, soles peruanos e pesos argentinos: embora a variação não tenha sido tão grande, o prejuízo ainda é significativo. O real compra bem menos dessas moedas do que há dois meses atrás. Apenas com relação ao peso argentino a diferença não foi tão grande. O bom é que esses países, com exceção do Peru, são muito baratos para brasileiros, o que faz a "crise" não doer tanto para quem viajar para lá agora:
Pesos chilenos: aqui a diferença é muito pequena. O peso chileno oscilou bastante nos últimos meses e, na média, ainda estamos no lucro. A moeda chilena se desvalorizou bastante mesmo. Isso significa que o Chile pode ser um bom negócio nesse momento:
Euros, libras esterlinas e francos suíços: a variação dessas moedas européias em relação ao real é quase a mesma nos últimos 6 meses. Mas o mais interessante é que ela não foi tão brusca como aquela verificada na relação dólar X real. O euro se desvalorizou bastante em relação ao dólar (de 1,54 dólar por euro caiu para menos de 1,30 dólar por euro), o que neutraliza bastante a diferença real X dólar. Veja os gráficos:
Assim, percebe-se que é a maior furada viajar para um lugar que use dólar agora. Se o destino é a Europa (a não ser na Suíça, onde a variação foi maior), a desvalorização não será tão sentida. Aqui nas nossas vizinhanças, o Chile aparece como a opção com menor diferença cambial em relação ao preço que se pagava pela moeda daquele país alguns meses atrás.

No mais, a dica é puxar o freio de mão o cartão de crédito, porque além de haver o problema da conversão para dólar na data da compra e a conversão para real só na data do pagamento da fatura, uma coisa quase despercebida por todos andou aumentanto o preço desse serviço: a taxa de compras no exterior está em 2,5%!!!

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