24/09/2010

Mostar - Franco-atiradores


Um dos pontos altos de nossa passagem por Mostar foi uma "atração" tecnicamente fechada para turistas: o prédio mais alto da cidade, que nunca chegou a ser completamente terminado, e que foi utilizado por franco-atiradores bósnios croatas no conflito com os bósnios muçulmanos.

O prédio tem cerca de 8 andares, contando a cobertura, e era totalmente revestido de janelões de vidro. Foi feito para ser um banco, e por isso até hoje é referido em inglês como o "Glass Bank".A vista que se tem lá de cima é privilegiada: quase 360°, bem no centro novo da cidade. Isso foi um chamariz irresistível para que fosse ocupado durante a guerra e passasse a servir de ponto de apoio para franco-atiradores que miravam nos cidadãos passando lá embaixo.

As balas iam e vinham do prédio - ele também era alvo de pistolas e metralhadoras, por isso foi completamente destruído em sua fachada exterior.
O prédio está abandonado desde aquela época, embora haja estudos para aproveitar sua estrutura e restaurá-lo.O andar térreo está praticamente aberto, embora haja marcas de tapumes mais antigos vedando acesso ao seu interior. A escadaria que dá acesso ao segundo andar e aos demais é que foi lacrada com grades, mas as pessoas acabaram entortando alguns pedaços de ferro e é por ali que os curiosos (e "corajosos") entram para conhecer os andares mais altos.

Ninguém de Mostar recomenda visitar o lugar, dizem que está fechado. Ficamos sabendo que era possível entrar por outros mochileiros que conhecemos, mas sempre recomendam que não se fique lá depois que escurece, porque o local é frequentado por drogados (como pudemos conferir pelas seringas no chão).


O surpreendente foi encontrar vários cartuchos de balas ainda no chão, mesmo depois de 15 anos do fim da guerra. Não tem como não ficar pensando em quem sabe quantas pessoas podem ter sido mortas com um daqueles ali...

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