06/09/2010

Sarajevo - Albergue

O bonde que leva da estação de trens e da rodoviária ao centro de Sarajevo não é dos mais fáceis de entender. Assim que se entra, deve-se validar o ticket, no mesmo estilo dos bondes de Amsterdam, mas o problema é que não há sinais nem mesmo anúncio das paradas que ele faz. Olhar para fora também não ajuda muito, já que as paradas não têm nome e tampouco de consegue encontrar placas nas esquinas das ruas indicando em que lugar se está.

Nessas situações, o melhor mesmo é pedir ajuda a algum passageiro nativo. Perguntamos qual era a melhor parada para descer no centro, e uma mulher nos disse que bastava segui-la. O problema é que o bonde foi indo, indo, e nada de pararmos. Quando vi a Ponte Latina, que é um dos principais pontos turísticos da cidade, passando pela janelinha, vi que estávamos indo longe demais. Avisei aos guris para descermos, e assim fizemos na parada seguinte.

Quando descemos, finalmente me localizei no mapa da cidade e vi que tínhamos umas seis quadras para voltar em direção ao albergue, que fica bem na divisão entre os bairros de Baščaršija e Ferhadija.

Decidimos caminhar pelo calçadão no meio do bairro em direção ao albergue e, como era cedo da tarde, num domingo, encontramos as ruas do centrinho bem desertas. Entretanto, gostamos do que vimos. A primeira impressão das ruelas da região central de Sarajevo foi boa; são muito limpas, com vários cafés um ao lado do outro, com mesquitas e igrejas em todos os cantos, além de lojinhas e algumas banquinhas de lanches.
O albergue escolhido na cidade se chamava Hostel City Center, e fica na rua Saliha Mukevita, 2. O prédio fica bem no meio de uma quadra residencial e não chama muita atenção. Para entrar, há que se usar o interfone, no qual existe um adesivo com o nome do lugar (“HCC”).
A escolha desse albergue foi feita basicamente em função da localização. Havia outro melhor avaliado pelos usuários numa colina, na região de Vratnik, onde o ponto mais destacado pelos mochileiros que lá estiveram era a recepção calorosa da equipe que lá trabalha e os tours organizados pelo dono, além do caráter mais típico da residência em que o lugar funciona. A distância e a subida desse outro albergue, além do pouco tempo que teríamos em Sarajevo levou à escolha do albergue melhor avaliado na região central.

A primeira impressão, contudo, não foi das melhores. Quando apertamos o interfone, a primeira pergunta feita do outro lado foi se tínhamos reservas. Respondi que sim. Aí ele perguntou quantos éramos. Respondi que quatro. Aí ele perguntou se os quatro tinham reservas; respondi que sim. Finalmente abriu a porta pelo interfone e disse para subirmos os quatro lances de escada até o final.
O corredor e a escadaria não poderiam ser mais sujos e fedidos a cigarro. Quando finalmente chegamos lá em cima, o cidadão estava com a porta fechada ainda, e assim que abriu exigiu que deixássemos os tênis na entrada (depois vimos que em todos os lugares de muçulmanos se faz assim).

Antes mesmo de terminarmos o check in e de pagarmos, ele já estava perguntando se tínhamos sacos de dormir. Dois dos guris tinham e ele imediatamente “confiscou” os sacos, pedindo-os e colocando-os num armário, de onde só poderiam ser tirados no check out. (Geralmente os albergues proíbem que se usem sacos de dormir sobre as camas ao invés dos lençóis por eles alugados ou fornecidos, mas esse cara levou isso muito a sério!)

Ainda fizemos algumas perguntas sobre o que fazer na cidade, como era a viagem de trem a Mostar, como poderíamos chamar um táxi pela manhã, etc., mas as respostas eram todas meio toscas, como o indivíduo que as dava.

Apesar da antipatia do sujeito que fica na recepção durante o dia, o albergue é legalzinho. A área de uso comum é bem aconchegante, com um lugar cheio de almofadas e uma TV, separado de outra área com mesas, ao lado da cozinha. Até pelo fato de não se poder usar calçados do lado de dentro e de ser tudo de madeira bem clara, a impressão que passa é a de um lugar limpo. O quarto, que tinha só os dois beliches ocupados por nós quatro, também era bom. Assim que entramos abrimos uma janela no telhado, para arejar mais. Os banheiros é que deixavam um pouco a desejar – aparência de sujos e malcuidados, daqueles em que os primeiros conseguem tomar banho tranquilo, mas para os últimos o que sobra é água fria.

Dentre as opções de albergues em Sarajevo, apesar dos pesares, esse é o lugar que as pessoas recomendavam (inclusive gente de lá, quando perguntamos a um taxista, por exemplo), por isso acho que não adianta muito tentar outros lugares.

4 comentários:

Camilla disse...

Oi André. Vi que você responde à muitas perguntas em seu blog, e gostaria de saber se por acaso você saberia a resposta para esta minha dúvida.

Vim para Suécia como turista por 3 meses. Meu período vai acabar agora, dia 17 de setembro e minha passagem para o Brasil já está marcada para dia 15/09. Porém mudei meus planos e gostaria de ficar pela Europa mais um tempo, então quero saber se posso ir para Londres (que não faz parte de Schengen) ficar por mais 3 meses, mesmo já tendo ficado 3 meses aqui na Suécia. E também se você acha que entrar em Londres como turista é fácil, pois tenho uma amiga que mora lá já.

Obrigada!

André Augusto Cella disse...

Infelizmente não tenho como ajudar. Minha experiencia eh como turista, nunca morei nem trabalhei fora. Londres tem uma imigração rígida, mas não é de Schengen, portanto tem regras diferentes.

Camilla disse...

É, estou como turista também, porém estou ficando os 3 meses aqui. Acho que por ser um país fora de Schengen não teria problemas, já que o que não posso fazer é ficar mais de 3 meses num país dentro de Schengen.

Você tem algumas dicas de como é a entrevista em Londres assim que chego ao aeroporto?

Obrigada!
Camilla.

André Augusto Cella disse...

Perguntam 1) o que veio fazer; 2) onde vai ficar (pedem para ver as reservas); 3) perguntam quando volta ao Brasil (pedem p ver passagem); 4) perguntam o que faz no Brasil (pedem p ver comprovante); 5) perguntam como pretende se manter ou quem vai pagar (não é comum, mas podem pedir para ver cartões, extratos, dinheiro); 6) fazem mais algumas perguntas para ver se a pessoa é mesmo turista (tipo quantos dias de férias tirou, o que pretende ver no país, se é a primeira vez, etc).
Três meses, que é o limite máximo, é algo muito suspeito aos olhos de qquer autoridade. Ninguém que tem trabalho no Brasil viaja tanto tempo, infelizmente.