01/02/2010

Fronteira La Quiaca - Villazón

Ao chegarmos na fronteira, que estava aberta havia apenas uns 20 minutos, encontramos uma fila de umas 15 pessoas na nossa frente. Até achamos que seria rápido, mas logo nos decepcionamos. Acredito que tenham demorado mais de 15 minutos apenas discutindo com um pai que achava um absurdo ter de mostrar os documentos do filho e a autorização do juiz para levá-lo ao exterior.

Como de costume nas fronteiras argentinas, apenas um policial da Gendarmería atendia a fila inteira, bem devagarzinho, enquanto outros 4 tomavam mate e contavam piadas. Parados, começamos a sentir o frio, que nessa hora devia ter diminuído para 0°. Ao lado da fila, toda hora passavam moradores locais que são dispensados dos trâmites burocráticos. A fila começou a crescer com a demora e o aglomero era grande. A gurizada lembrou da gripe suína e até fez uso das máscaras. A situação ficou realmente dramática quando um velho passou mal e deu uma golfada de vômito no chão, forçando a fila a fazer um “desvio”. Uns pensavam que era sintoma da gripe, outros que era só a altitude. Até hoje não sabemos, mas que deu medo e nojo, deu.

Uma hora e pouco depois, finalmente conseguimos o carimbo no passaporte e pudemos seguir para o outro lado. Uma ponte sobre um rio congelado separa as duas imigrações, que ficam a 200m uma da outra.

Do lado boliviano, que desde o planejamento da viagem eu imaginei que seria o ponto mais tenso da viagem inteira, dada a fama de complicadores e corruptos dos policiais bolivianos (já passei por isso quando fui a Machu Picchu), tudo acabou sendo muito rápido.

Um militar que fazia a segurança do local perguntou de onde éramos e nos deu as fichas de imigração (em duas vias e sem carbono) para preencher. Perguntou se tínhamos a carteira de vacinação de febre amarela (que é a grande deixa para pedir propina a brasileiros desavisados), mas nem mesmo pediu para olhá-la. Acotovelamos-nos numa mesinha de canto para preencher os papéis e, em cinco minutos de fila, os entregamos junto com o passaporte ao tiozinho que estava sentado na frente de um computador e que dava as carimbadas nos passaportes. Pronto.

O Harold, um amigo meu que já tinha ido de caminhonete ao Peru e passado por ali, tinha me avisado que Villazón era, no entender dele, o que havia de mais “fim do mundo” em matéria de fronteira, por isso cheguei com as piores expectativas possíveis à cidade. Talvez em razão disso tenha achado tudo muito tranqüilo. A cidade não é pior do que Ciudad Del Este ou a parte baja de Encarnación.

Tirando o fato de que não dá para bobear no meio da rua, se não se é atropelado, a cidade transmite um ar de tranqüilidade em meio àquela informalidade toda de comércio por todos os lado, nas primeiras quadras depois da ponte.

Nosso objetivo era só chegar até a agência de turismo com a qual tínhamos reservado as passagens de trem a Uyuni e o próprio Tour de 3 dias pelo Salar e pelas lagunas altiplânicas. A agência ficava bem na praça central de Villazón, a umas quatro ou seis quadras da fronteira, caminhando pela avenida principal. Não tinha erro.

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