25/02/2010

Hotel de Sal

Depois da paradinha em Colchani, finalmente entramos de fato no Salar de Uyuni.

A experiência é muito interessante. Começou realmente aquele trecho em que tudo que se vê é o céu azul e o chão branco. Só prestando mais atenção e olhando para o lado certo é que se enxergam também algumas montanhas.

Dizem que no período das chuvas, quando há uma lâmina de água sobre o salar, tudo fica ainda mais bonito, porque a água acaba funcionando como um espelho do céu. O resultado é uma sensação de que se está dirigindo sobre as nuves, porque tudo fica igual - céu e terra, sem linha do horizonte visível. Deve ser paulada mesmo.

Como estrada, o salar funciona que é uma beleza. O chão é extremamente compacto - leia-se duro - e plano. Na imensidão do salar, não há uma variação entre o maior e o menor nível de altitude do solo do que uns 4cm. Isso faz do Salar de Uyuni a maior superfície sólida realmente plana do mundo. Isso tanto é verdade que os satélites de GPS costumam calibrar seus sensores de altitude mirando no salar.

Com uma "estrada" dessas, a caminhonete pode correr à velocidade que quer, sem solavancos nem riscos. Aqueles "favos" que se formam no chão, quase sempre em forma de pentágonos (e que são o resultado da formação das moléculas de sal, que têm o mesmo formato), não chegam a ser altos o suficiente para que o veículo sinta. A suspensão amortece essa pequena variação. Além disso, nas partes em que mais se passa, eles tendem a ir se achatando pelos pneus dos carros. No período das chuvas, entretanto, não é bem assim. Não dá para correr tanto, pois alguns buracos se abrem por acúmulo de água e infiltração do subsolo.

Não há poeira e, ao contrário do que eu imaginava, não se sente o cheiro ou partículas de sal voando contra a pele. Mesmo com a janela aberta a mais de 100km/h, a única sensação é o ar frio batendo no rosto. A temperatura não passava de uns 6ºC, mas conseguíamos ficar de mangas curtas dentro da caminhonete, com o ar condicionado ligado e 7 pessoas dentro.

O que é imprescindível para aproveitar o passeio são óculos escuros. Se possível, polarizados, para enxergar melhor os contrastes de cor. Ficar sem óculos escuros é certeza de ficar apertando os olhos e de uma dor de cabeça depois de algum tempo. A claridade é absurda e, além disso, os tours passam por esse trecho perto do meio-dia.
Cerca de 50km salar a dentro, fazemos uma parada no famoso "Hotel de Sal". O lugar foi interditado como hotel de verdade, por terem descoberto que seria insalubre (não diga!) passar muito tempo ali. Mas ainda existe como atração turística. Só que só se pode ver pelo lado de fora e, fazendo uma sombra para evitar o reflexo, enxergando para dentro das janelas.
As fotos que aparecem de móveis de sal são todas de dentro do hotel, mas tiradas pela janela.

Ao lado do hotel há algumas paisagens bem interessantes para fotos, como a ilhazinha de bandeiras dos países que mais visitam o salar (sim, o Brasil está lá) e um catavento.
O lugar é realmente bonito e impressiona por não ser parecido com nada que já se viu em outro lugar.

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