23/02/2010

Margens do Salar

Depois do cemitério de trens, anda-se uns 50km até a próxima parada: um vilarejo às margens do Salar de Uyuni. A estrada, é claro, é de terra até lá, com alguns trechos de solavancos. A paisagem, no entanto, vai ficando cada vez mais bonita, sendo possível enxergar vulcões que rodeiam o salar por toda a parte, cobertos de neve.

O tal povoado se chama Colchani e fica ainda em terra firme. Ao seu lado, porém, existem algumas pequenas construções próximas aos locais onde se explora o salar, que é onde as caminhonetes param com os turistas.
Por ali, como não poderia deixar de ser, o que mais há é artesanato feito com sal. Desde pequenos bibelôs até cadeiras e mesas, tudo é feito de sal. Até perguntamos como é que se faz para conservar esse tipo de material em lugares úmidos como aqui no Brasil, e responderam que era bom envernizar para não ir se desgastando.

Há até um pseudo-museu do sal, com entrada gratuita, que na verdade apenas reúne objetos feitos de sal em escala um pouco maior do que aqueles que são vendidos do lado de fora. Se não estou confundindo as coisas (o que é bem possível), há uma mumiazinha de criança lá dentro também.
Não espere muita estrutura. O "banheiro", pelo qual se cobram 2 Bolivianos para usar, nada mais é do que essa patente que aparece na foto. Conforto, sabidamente, não é o ponto forte do passeio.
Naquela localidade, pode-se ver um pouco da atividade econômica dos "povos do salar", como os próprios guias se referem às pessoas que moram nas proximidades. Num processo que já tínhamos visto nas Salinas Grandes, perto de Salta (Argentina), o que fazem é cavar buracos e encher de água, para que o sal venha à superfície e possa ser colhido.

Apenas trabalhadores cadastrados podem trabalhar no local, que é público mas é explorado em regime de concessão do governo.
Ainda nesse mês de janeiro de 2010, por acaso, vi na TV uma reportagem sobre as riquezas escondidas no salar e o risco que representa a sua exploração. Cerca de 50% das reservas mundiais de lítio encontram-se sob esse salar. A importância desse mineral (hoje conhecida mais pelos remédios psiquiátricos com que é feito) reside no fato de ser um dos principais componentes das baterias que serão necessárias para a produção em escala industrial de carros elétricos. Ou seja, para deixar o petróleo de lado, uma das alternativas passa justamente pela exploração do Salar de Uyuni. Encontrei na internet uma reportagem sobre o assunto, para quem quiser ler mais sobre o assunto, bastando clicar aqui.

Fato é que o governo de Evo Morales tem uma imensa riqueza sob seu solo, mas não tem a tecnologia e o dinheiro para explorar. Fala-se que ainda estão elaborando um plano para conciliar os interesses nacionais com a necessidade de investimento estrangeiro, sendo uma das alternativas apontadas a necessidade de que as firmar produzam o produto final - as baterias elétricas - na própria Bolívia, em contrapartida ao direito de exploração, além, é claro, de dividir os lucros com o Governo.

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