24/01/2012

Palácio de Topkapı

Uma das principais atrações turísticas de Istanbul, que toma várias horas para ser conhecida e que, por isso mesmo, não pude visitar quando estive pela primeira vez na cidade, é o antigo palácio de onde os sultões governavam o Império Otomano: o Palácio de Topkapı (pronuncia-se "Topkap", que o “p” bem sonoro, como um estouro com a boca, fazendo do “i” um som mudo ou quase um "ã").

O palácio está localizado num grande parque ajardinado que começa logo atrás da Aya Sofia (ou Santa Sofia) e ocupa toda a ponta do bairro de Sultanahmet, conhecida como o Serraglio, com vistas para o estreito de Bósforo e para o Chifre de Ouro (canal que separa Sultanahmet do centro novo da cidade). Quando o primeiro sultão derrubou o Império Romano do Oriente em 1453, amuralhou essa parte da cidade para fazer o palácio, “engolindo” alguns prédios como igrejas, que viraram depósitos de armas.

O palácio é bem diferente de um castelo de estilo europeu. É formado por vários prédios separados (cozinhas, salas de reunião, salas para rituais religiosos, ginásios, salas de recreação), tendo uma parte aberta à corte como um todo e outra reservada, privativa, onde moravam o sultão, seus filhos, suas mulheres (geralmente ele se casava com 4 mulheres) e até 300 concubinas. “Harem”, como se chama essa parte, significa justamente “fechado”, “privado”.
Achei bastante interessante ter alugado áudio-guias para a visitação, até porque tudo era em português brasileiro bastante claro e bem pronunciado, com informações interessantes sobre cada lugar. Como as inscrições originais dos lugares são em árabe e como as informações em plaquinhas em turco e inglês não dizem muita coisa, fazer o passeio sem um guia ou sem esses áudio-guias pode se tornar monótono e sem muito sentido. Além disso, há poucas representações de pessoas ou de cenas históricas, porque a religião islâmica não gosta de imagens de pessoas ou animais, porque entende que isso de alguma forma ofenderia o mandamento segundo o qual só Deus pode ser adorado.

Fomos para a entrada do palácio por volta das 10 e pouco da manhã (o lugar só abre das 9h às 17h) e nos impressionamos com a enorme quantidade de pessoas que estavam nas filas para comprar ingressos e para entrar nas partes mais disputadas do palácio. Sendo inverno, esperava muito menos gente, mas vi grandes grupos de japoneses, muitos russos e mesmo escolas locais conhecendo o lugar. 
Exatamente como tinha sido dito no guia da Lonely Planet, só se encontra um pouco mais de paz justamente na parte mais interessante do complexo palaciano: o harem. Não sei se é porque a entrada é paga separada ou porque estão proibidos os tours guiados nessa parte, mas de fato bem menos gente entra no emaranhado de corredores, apartamentos e pátios internos por onde vivia a grande família do sultão.

Para aproveitar mais a visita, vale a pena dar uma olhada antes ou depois em artigos do Wikipedia sobre o Império Otomano e sobre os sultões, que governaram dali desde o final do século XV até meados do século XIX, quando o governo foi transferido para um palácio mais de estilo europeu – o Dolmabahce, em Besiktas.

Outro ponto de interesse na visitação são relíquias religiosa, sagradas para os muçulmanos, mas que deixariam muito cristão incrédulo: o cajado de Moisés, uma pegada de Maomé, o crânio de um profeta, o osso do braço de um santo, e outras tantas.

 Entrada do Harem
 Pátio das concubinas
 Sala de estar interna num dos apartamentos
Pátio das preferidas
O lugar sempre ocupou a imaginação dos europeus, por ser fonte de muitos mistérios e por sediar um dos governos mais exóticos que se tinha perto do mundo ocidental. Sequer roupas como calças e camisas eram usadas nessa corte – o traje oficial era um camisolão chamado de kafta, sempre com turbantes na cabeça. Eunucos protegiam o harem, intrigas entre as centenas de concubinas ocorriam a todo momento, sultões que só queriam saber de comer e beber deixavam tudo nas mãos dos vizires, enfim, histórias típicas de contos das mil e uma noites aconteceram de fato ali, e o cenário de tudo isso está quase intacto (ainda que tudo pareça mais simples se comparado a lugares como Versalhes, Sintra ou Schonbrunn).

Ah, as fotos são meio pobrinhas porque é proibido tirar dentro da maioria dos prédios que têm algum objeto exposto.

Para almoçar e fazer lanches, existe um café, bem caro por sinal, onde se vendem sanduíches ao estilo kebab (frango ou carne), doces e tortas, além de um restaurante a la carte, geralmente cheio de grupos de excursão.
Vista do café do Palácio

REFERÊNCIAS DE GASTOS

- entrada no Topkapi Sarayi: TL 20,00 (cerca de 19,80 reais) por pessoa

- entrada no Harem do Topkapi: TL 15 (cerca de 14,90 reais) por pessoa

- audioguia em português brasileiro para o Harem e o Topkapi: TL 20,00 por audioguia

- kebab no café do Palácio: TL 18 (preço de aeroporto - 17,80 reais por um sandubão, que dá tranquilo para dois)

- passagem de bonde: TL 2,00 (cerca de R$ 1,95), comprando o “jeton” ou ficha nas máquinas de autoatendimento

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