18/08/2010

Bagagem (quase) extraviada


Assim que saímos do avião, pudemos sentir os 30°C que castigam Istambul em boa parte do verão. Corremos para o setor de imigração, sem muito sucesso, porque a fila já era grande.

Havia pelo menos 15 cabines para conferência de passaportes de estrangeiros, com duas filas independentes, mas o volume de pessoas fez com que ficássemos pelo menos meia hora até recebermos o carimbo de entrada. A única pergunta que o oficial da imigração me fez foi se era a primeira vez na Turquia – mas acredito que isso se deva ao fato de que ele teve de me cadastrar no sistema, o que não seria necessário se eu já tivesse passado pelo país antes. Nessas horas, dá bem para ver a diferença na rapidez do atendimento a um passaporte do modelo novo, que tem códigos para leitura automática de informações, e um do modelo velho (como o meu), em que tudo precisa ser digitado.

Com o carimbo no documento, fomos para as esteiras de bagagem, já sabendo que a coisa seria demorada – os guris ficaram mais de uma hora esperando dois dias antes. Ficamos só andando de lá para cá e ligando para dizer que tínhamos chegado bem, porque nem caixa automático tem na área de retirada de bagagens.

Demorou uns 45 minutos até que a esteira começasse a se movimentar e despejasse algumas poucas malas. Assim foi ocorrendo de 10 em 10 minutos. Saíam umas 15 malas, e parava. Recomeçava, e parava. Quase duas horas depois, a esteira parou, e percebemos que os nossos mochilões não tinham aparecido.

Adrenalina a mil. Apesar de ter viajado bastante, eu nunca tive uma bagagem extraviada. E agora? Os guris já estavam ligando do centro, perguntando o motivo da demora.

Fomos até o balcão de bagagem extraviada e o carinha simplesmente lamentou e nos deu um formulário gigantesco para preencher. Eu perguntei se eles não tinham como rastrear, e ele disse que em Istambul nossas mochilas não estavam. Perguntei se estavam em São Paulo, e ele abriu uma tela de computador e disse, num inglês sofrível, que se houvesse algo de bagagem em São Paulo, haveria uma mensagem naquela tela.

Entre um silêncio constrangido e outro do funcionário que mal entendia inglês, o Harold perguntou se não seria possível que nossas mochilas tivessem sido despachadas direto para Sarajevo, para onde iríamos no dia seguinte. Aí o cara olhou de novo os tickets e disse que sim, que deveria ser isso que tinha acontecido, e perguntou se queríamos nossas mochilas. Dissemos que sim e ele então pegou um walkie-talkie para pedir que tirassem nossas mochilas do depósito.

Depois de uma meia hora e de várias chamadas dizendo que ainda não tinham achado, chamamos outra pessoa e explicamos a situação. Ela nos recomendou que fôssemos para o hotel e que pegássemos nossas mochilas em Sarajevo, porque elas certamente estariam lá. O aeroporto estava muito movimentado e provavelmente demoraria muito para encontrarem. A segurança com que essa funcionária nos falou isso nos encorajou a deixar assim mesmo e ir para o albergue só com a bagagem de mão.

Saímos da área de retirada de bagagem e, antes de sair do aeroporto, sacamos algumas liras turcas num caixa automático e fomos até um balcão de check in, pedir nosso cartão de embarque para Sarajevo.

No sistema, constávamos como tendo já feito o check in, mas não tínhamos cartão de embarque porque a Turkish de São Paulo dizia que não podia imprimir cartões de embarque com mais de 24 horas de antecedência. Explicamos a situação a uma gerente e ela se prontificou a imprimir os cartões de embarque, mas antes pediu nossos passaportes. Aí, veio outra pergunta que me deixou brabo:

- Onde estão os vistos para a Bósnia?

Respondi que brasileiros não precisavam de visto desde 2008 com tanta segurança que a gerente só baixou a cabeça, imprimiu os cartões e nos agradeceu.

Finalmente, depois de umas três horas no aeroporto, tomamos um táxi para Sultanahmet, onde os guris nos esperavam a pelo menos duas horas no barzinho do albergue.

MORAL DA HISTÓRIA: a culpa pela história das bagagens também foi nossa, mas por falta de informação. Em Porto Alegre, deveríamos ter pedido expressamente para despachar as bagagens apenas até Istambul. Como na etiqueta dizia SJJ (Sarajevo) como destino final, as malas foram automaticamente remetidas para o depósito do voo que sairia no domingo de meio-dia – pouco importando que nossa conexão fosse de mais de 18 horas. Ao contrário do que ocorre no Brasil, em que as malas sempre são retiradas no primeiro porto de entrada, lá na Turquia, se Istambul não é o destino final, elas não são liberadas ao passageiro.

Pelo menos eu tinha feito o que se deve fazer: havia levado a nécessaire, uma cueca, um par de meias e uma camiseta extra na bagagem de mão, para sobreviver àquelas horas em Istambul sem a bagagem principal.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro, estou fazendo uma matéria para o MTV na Rua, jornal da MTV, sobre tour pela europa. Queria muito falar com você...
sei que vc está na estrada, mas será que vc pode me mandar um email para a gente tentar se falar?
mail: cleide.floresta@mtvbrasil.com.br
O que quero: cinco cidades que um mochileiro não pode deixar de conhecer e por quê..
Abs.