31/08/2010

Sarajevo - chegada

O aeroporto de Sarajevo é bem pequeno, menor do que o de muitas cidades no interior do Brasil. Perguntamos para um pessoal se havia algum caixa automático ou casa de câmbio para que pudéssemos conseguir algum dinheiro local, mas a resposta foi negativa. Só no centro da cidade ou na estação rodoviária, disseram. Perguntamos então se aceitavam euros nos táxis e aí se solucionou nosso problema.

Não há transporte público direto entre o aeroporto e o centro de Sarajevo. A opção mais econômica e complicada é andar uns dez minutos até uma parada de ônibus no subúrbio, pegar um ônibus até uma região mais central e de lá seguir de bonde.

Os taxistas se aproveitam disse e cravam a faca no preço. Pagamos 20 euros para os quatro num Mercedão, o que até é compreensível pelo volume das quatro mochilas juntas, mas quatro marmanjos com mochilinhas menores na mão.

Eram 13h35 no horário local (5hs a mais que Brasília). Pedimos para que o taxista nos levasse até a estação de trens, onde conseguiríamos dinheiro e já deixaríamos acertado o trecho seguinte da viagem – uma descida de trem até Mostar.

No caminho, o taxista mostrou-se um exemplo da tão falada hospitalidade bósnia. Falou tudo que tinha de bom para fazer na cidade, explicou um pouco da situação na época da guerra, perguntou de onde éramos, etc. Não leva mais do que 20 minutos até a estação, ainda mais num início de tarde de domingo em que as ruas pareciam desertas.

A estrada do aeroporto ao centro era conhecida, na época da guerra civil, como a “alameda dos franco-atiradores”. Ali tivemos nosso primeiro contato visual com as marcas de bala nas paredes dos prédios que seriam uma constante em todo nosso tempo na Bósnia. Algumas eram verdadeiras rajadas, outras mais tímidas, mas todas bastante impactantes, pelo fato de se tratar de prédios civis, a maioria residenciais, com gente ainda morando.
A estação central de Sarajevo, que é a maior do país, estava deserta. Do lado de fora, umas três pessoas bebendo num café. Do lado de dentro, uns três ou quatro mendigos deitados rente às paredes – um até fez menção de pedir dinheiro. Um ambiente bem deprê, mas não pior do que uma rodoviária aqui no interior do Rio Grande do Sul.
Fomos até o guichê de compra de passagens de trem e perguntamos se poderíamos pagar em euros, disseram que sim (o inglês era sofrível, mas deu para o gasto). Pagamos cerca de 5 euros por passagem para cada um, numa viagem de mais de 250km, marcada para as 7h da manhã do dia seguinte.

Comprados os tíquetes, nos sentamos no café em frente à estação para nosso primeiro contato com a Sarajevsko Pivo, a melhor cerveja da bósnia (e possivelmente da nossa viagem inteira).
Enquanto isso, o Rafael foi até a estação rodoviária, que fica ao lado, sacar dinheiro local. A moeda da bósnia se chama Konvertible Maraka (abreviada como KM) e a cotação fica em R$ 1,25 por cada Maraka. Ele sacou 500KM e deixou 100KM com cada um – o que seria mais do suficiente para nosso período de três dias na Bósnia-Herzegovina, pagando outras despesas como hospedagem em euros.

Na hora de pedir a conta pelas quatro cervejas, de 500ml cada uma, nos demos por conta de que o país seria muito barato: 7,50KM, ou seja, pouco mais de 8 reais pelas cervejas. Logo em frente, na hora de comprar tíquetes para o bonde que nos levaria ao centro, também gastamos cerca de 1 real por pessoa.

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