17/08/2012

Chegando na cidade do Porto, em Portugal

Minha primeira viagem a Portugal começou numa madrugada do início do mês de setembro de 2008, com 4 horas de ônibus entre Santa Maria e Porto Alegre. Chegando direto no aeroporto Salgado Filho, encontrei o Ângelo, que já estava na cidade e que seria o meu companheiro de mochilão. Para ele, seria a primeira vez fora do país e a primeira experiência como mochileiro. 

Despachamos a bagagem pela TAM até o destino final (Porto), mas logo no check in fomos avisados de que deveríamos trocar os cartões de embarque impressos naqueles papéis que parecem nota fiscal por cartões da TAP, lá em Guarulhos, onde pegaríamos o voo transatlântico. 

Em 2008, Guarulhos ainda era um paraíso perto do que é hoje. O movimento era muito menor e, por ser metade da tarde, com poucos voos internacionais, havia ainda menos gente. A fila para o despacho de bagagem da TAP era gigantesca, contudo. Deixei o Ângelo esperando lá atrás na fila e fui até o check in da Executiva para perguntar se tínhamos que esperar toda aquela gente, já que bastava trocar nossos cartões de embarque pelos definitivos. Com a resposta positiva, liberamo-nos em poucos minutos e pudemos ir fazer outras coisas. 


Naquela época, ainda era necessário fazer a declaração de saída de bens do Brasil na Receita Federal, para não correr o risco de ser tributado na volta. Fomos até o final do aeroporto e descemos a escadinha até o escritório, para preencher os formulários com os dados das câmeras digitais que estávamos levando e carimbar os documentos. 

Depois disso, ainda tivemos quase umas  três horas de espera até o momento do embarque, que gastamos basicamente tomando chopp e petiscando num dos bares (sempre caros) do aeroporto de Cumbica. O grande problema da falta de melhores conexões entre Porto Alegre e os voos que saem de Guarulhos antes das 7 da noite é sempre esse: esperas longas demais que matam no cansaço qualquer um.

Quando finalmente chegou a hora de embarcar, deparamo-nos com um avião bem melhor do que tínhamos imaginado. Já tínhamos ouvido gente contando horrores de viagens com a TAP, mas o Airbus em que viajaríamos estava estalando de novo. Entretenimento individual, com bastante filmes em português e muitos joguinhos de computador, ambiente confortável (sem crianças chorando ou gritarias típicas de excursões) e uma tripulação muito atenciosa. Na hora da janta, refeições tipicamente portuguesas, com bacalhau e vinhozinho para dar mais sono. 



Uma ida para a Europa de avião com uma companhia portuguesa já serve para que o marinheiro de primeira viagem tenha os primeiros contatos com o jeito português de dizer algumas expressões conhecidas. Descolagem, por exemplo, diz-se "descolagem". A aterrissagem é dita "aterragem". Nas legendas dos filmes em inglês, é bom ir desde logo se acostumando a tratar meninas como "miúdas", a dizer "giro" em vez de legal e a falar "malta" em vez de galera. Sem contar as palavras que são escritas da mesma forma que aqui, mas que se pronunciam diferente, como descer, que soa como "dexer".

A viagem foi bastante agradável, mas logo depois do café da manhã, quando estávamos nos aproximando do aeroporto Francisco Sá Carneiro, na cidade do Porto, começamos a sofrer muita, mas muita turbulência. Chovia bastante forte do lado de fora e na hora em que estávamos atravessando a grossa camada de nuvens que havia sobre o norte de Portugal, o avião tremia e balançava tanto que algumas portinhas de bagagem começaram a se abrir sobre as cabeças das pessoas. Uma mulher do nosso lado começou a chorar de desespero e se via facilmente que todos estavam bem apreensivos - eu nunca tinha passado por nada parecido. 

Quando finalmente ultrapassamos as nuvens e o avião começou a se preparar para descer na pista, as coisas ficaram mais calmas e, do lado de fora, parecia que estava apenas garoando. 

O aeroporto da cidade do Porto é bem mais moderno e tranquilo do que o de Lisboa. Naquela hora da manhã, acredito que só o nosso voo estava chegando de um país de fora do Espaço Schengen. Fomos direto para a imigração, sem nem mesmo enfrentar fila (Portugal é famoso por filas de imigração). Na hora do carimbo, porém, o oficial fez bastante perguntas. Perguntou se era a nossa primeira vez no país, quanto tempo ficaríamos, o que fazíamos no Brasil e se tínhamos reservas para toda a permanência. 

Com o carimbo no passaporte, fomos às esteiras buscar nossa bagagem e decidimos ainda passar numa cafeteria, para dar mais uma reforçada no café (ah, café com leite é "galão") e estudar o mapa da cidade, para saber como chegar ao nosso albergue, bem no centro antigo do Porto. O aeroporto, até mesmo do lado de fora do embarque e desembarque internacional, estava vazio como se fosse um meio de feriadão. 

Do lado de fora, a chuva estava com cara de que não pararia tão cedo. Por sorte, a estação do metrô fica bem ao lado do aeroporto, e não é preciso caminhar mais do que uns 20m na chuva para entrar num vagão. Entramos e o metrô também estava completamente vazio, aguardando a saída depois de um intervalo de uns 15 minutos entre um carro e outro. Lá pelas tantas, só apareceu um velhinho meio caquético, falando sozinho, que não conseguimos distinguir se estava bêbado ou só meio biruta.


Quando as portas finalmente se fecharam, começamos a viagem de cerca de meia hora até a estação São Bento, no centro antigo da cidade, de onde sairíamos para ir a pé até o albergue. 

O metrô da cidade do Porto (pronuncia-se "métro") ainda era bem novinho e o achamos muito bem cuidado. A primeira linha só foi inaugurada em 2002, e um dos principais motivos para a sua construção foi justamente a realização de uma Eurocopa no país, em 2004. Para entender como funciona, basta entrar no site da empresa que o mantém: http://www.metrodoporto.pt/

Como boa parte do trajeto entre o aeroporto e a área mais central da cidade é feito pela superfície, inclusive parando em alguns semáforos pelo caminho, a impressão que se tem é a de que se está andando de bonde (ou "elétrico", como dizem por lá). Pode-se ver um pouco da cidade, mas no início tudo é meio sem graça, porque são quase só prédios modernos e um tanto impessoais, como em qualquer outro lugar do mundo. 

Fizemos uma baldeação na estação Trindade e, em poucos minutos, chegamos à estação São Bento, que é considerada uma das mais tradicionais e bonitas do país. Ela ainda preserva um ar de século XIX e tem mosaicos muito bonitos de azulejos no hall de entrada. Vale a pena até tirar foto (alguns estavam em restauração, por isso tinham uma telinha de tecido por cima). 




Mesmo tendo passado quase uma hora desde nossa chegada, a chuva continuava lá fora. Como achamos que ia ser só uma garoinha de molhar bobo, deixamos de lado o impulso inicial de tomar um táxi e nos metemos pelas ladeiras da cidade velha para encontrar nossa hospedagem. Mas isso fica para o próximos post.

Um comentário:

.Kel. disse...

O aeroporto Sá Carneiro continua lindo, e te cconfesso que NUNCA peguei longas filas para carimbar meu passaporte. Faço em média 3 viagens por ano para o Brasil e nunca tive esse tipo de problema aqui, talvez em Lisboa a realidade seja bem diferente.

O metro continua muito bem cuidado e esta realidade de estar vazio só tive umas 2 ou 3 vezes :P

Inevjo muito estas duas facilidades no Porto: um bom aeroporto e um sistema de transporte com bom preço para saíres de dentro dele.

O Porto é lindo não?!