19/08/2012

Albergue no Porto

Assim que botamos o pé para fora da estação de São Bento, em direção ao albergue que tínhamos reservado pelo Hostelworld, a chuva começou a ficar mais forte. Com um mapinha já decorado na cabeça, pensava que não tinha como errar o endereço do lugar e que seriam apenas umas três quadras dali. 

Nosso objetivo era o "Oporto Poets Hostel" (Oporto é como se diz Porto em inglês), um albergue que na época estava muito bem cotado nos sites de reservas e que tinha reviews bastante bons. O site do albergue, para quem se interessar, é http://www.oportopoetshostel.com/public/index.php. O endereço dele é uma tal de Rua dos Caldeireiros, à qual se chega por uma tal Travessa do Ferraz. 

Andamos, andamos, andamos. Começamos a ter que parar debaixo das marquises das lojas para respirar um pouco das corridas com a mochila nas costas entre um ponto seco e outro, porque a chuva era cada vez mais forte, e percebemos que tínhamos chegado à "Rua do Ferraz"... mas nada de "Travessa do Ferraz". Começamos a perguntar para alguns comerciantes se conheciam a tal "pousada da juventude" (é assim que se diz albergue naquele país), mas ninguém nunca tinha ouvido falar. 

Chegamos até uma ladeiras que mais pareciam ter saído do Pelourinho, mas nada de alguma indicação do albergue ou de uma placa sobre a tal Travessa do Ferraz, que daria acesso ao nosso endereço. A essa altura. já tínhamos até colocado as capas de chuva das mochilas, porque começávamos a sentir que até as roupas dentro delas estavam se molhando. 

Depois de mais uns minutos tentando em vão encontrar o destino, demo-nos por vencidos e voltamos à estação de trens para pegar um táxi. Um velhinho numa Mercedona bem detonada nos atendeu e disse que conhecia sim a tal Rua dos Caldeireiros e que não seria longe dali, possivelmente coisa de uns 3 ou 4 euros a corrida. Depois de tirar muitos finos com o carro naquelas ruas bem estreitas e com veículos estacionados por todos os lados, ele finalmente parou num mesmo ponto em que estivéramos a pé minutos antes e disse: "é aqui". 

Aí eu me indignei. Disse que queríamos chegar na Travessa do Ferraz, e não na Rua com o mesmo nome, mas ele explicou que era só passar por uma viela por onde nem dava para ir de carro que chegaríamos lá em cima no nosso destino. Muito contrariado, desci do carro e pedi ao Ângelo que esperasse, para me certificar de que ele tinha dito a coisa certa. Depois que me convenci, peguei minhas coisas, pagamos e saímos, agora ladeira a cima, até finalmente ver a porta do maldito albergue que tanto nos custou a encontrar.



O Oporto Poets era um sobrado bem mal cuidado por fora, inclusive com um monte de lixeiras da vizinhança ao seu redor, sem cara de muitos amigos. Entramos lá e parecia que éramos os únicos por ali, já que chovia e recém passava do meio-dia. 


Fizemos o check in e pagamos antecipado, como é costume nos albergues, e fomos para nosso dormitório, no segundo andar. Era um quarto com chão de parquê e umas quatro camas beliche, quase todas já tomadas e com toalhas secando. Os lockers eram bem pequenos e não dava nem para deixar todas as coisas do lado de dentro. Do lado de fora, havia algumas cadeiras de jardim, mesas para o café da manhã e redes nas árvores.



A única coisa legalzinha era a vista da janela, que dava para o pátio do próprio albergue e que permitia uma primeira vista da cidade em que tínhamos chegado. Olha se não parece o Brasil?


A primeira coisa que fizemos foi abrir as mochilas e tratar de verificar o que tinha sido molhado na nossa chegada desastrosa, para colocar para secar. Como a chuva continuava, fizemos tudo sem pressa e eu fui até tomar um banho, para tirar a nhaca de viagem, e só depois pensaríamos em comer. 

Ficamos umas duas horas por ali, conhecendo as pessoas que estavam pelo albergue, até que a chuva parasse. Havia alguns espanhóis, os inevitáveis brasileiros e gente de países mais do norte, como Holanda e Alemanha, quase todos na faixa dos 20 e poucos, sem grandes planos para a passagem pela cidade. 

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