03/05/2012

Katathani


Depois de umas boas semanas, retomo agora os posts sobre a viagem à Tailândia, continuando justamente de onde parei, para falar sobre Phuket.

Como tinha dito no final daquele post, minha escolha de hospedagem acabou sendo o Katathani Beach Resort, na praia de Kata Noi, bem no sudoeste da ilha.

Para chegar lá, logo depois de desembarcarmos no aeroporto internacional de Phuket, no extremo norte da ilha, pegamos um desses táxis que se paga a tarifa de forma antecipada no balcão da companhia, ainda no aeroporto. Apesar de termos pago quase R$ 70, valeu muito a pena, porque o trajeto todo demorou mais de 1 hora (são aproximadamente 50km, com trânsito bastante pesado e muitos, muitos semáforos nas partes urbanizadas) e o carro era quase de luxo – o que vimos que é quase lugar comum na ilha.

Ao chegarmos, tivemos uma surpresa ao saber que existiam duas portarias separadas no hotel, uma para a ala mais antiga, e mais perto do mar, e outra para a ala Bhuri, que fica do outro lado da rua que cruza no meio do resort.

Embora pareça meio estranho, é exatamente isso: uma rua aberta ao público cruza no meio do lugar, mas como os dois lados da rua são de propriedade do hotel, há placas advertindo que o acesso é autorizado apenas a hóspedes do local, sob pena de caracterização de violação de propriedade privada – bem ao estilo americano.

O resort domina toda a frente da praia de Kata Noi e o público que não está hospedado no hotel só tem como chegar até essa praia por uma estreita rua que dá direto na areia. As demais pousadas, casas particulares e restaurante ficam em ruelas ao lado do hotel ou nos morros atrás dele, sem acesso direto à praia propriamente dita.

Diferentemente dos resorts caribenhos, os resorts tailandeses não costumam ser do tipo all inclusive. O mais comum é que as pessoas paguem apenas pela hospedagem, que inclui o café da manhã. Alguns pacotes permitem que a pessoa compre algumas refeições antecipadamente, por um preço fixo, e nesse caso a pessoa vai usando vouchers que ganha quando faz o check in.

Da mesma forma, os resorts no país não concentram só casais com filhos, ou casais em lua de mel, ou idosos, como muitos dos pares caribenhos e nordestinos. Há muitos grupos de amigos, que passam o dia jogando cartas, comprando cerveja num mercadinho fora do hotel (porque são mais baratas assim) e saem à noite.

O Katathani tem uns 6 restaurantes, sendo 2 deles de Buffet (que servem também o café da manhã, almoços e jantas), 2 de frutos de mar no estilo restaurante mais descolado na beira da praia e 2 mais chiques, que exigem reserva prévia – um de comida italiana e outro de comida tailandesa.

Embora tenha mais de 500 quartos e estivesse com uma boa ocupação (afinal, ainda era janeiro, a altíssima temporada), o hotel consegue ter um ambiente bem tranquilo e pouco muvucado. Há muito espaço verde entre um lugar e outro, são pelo menos 4 piscinas, além da praia toda em sua frente, e o próprio ritmo diferente das pessoas faz com que muitos façam as refeições em horários bem diferentes dos outros. Até mesmo o fato de haver muitos passeios fora do hotel de dia inteiro contribui para a sensação de um lugar bastante tranquilo – que aliás é o aspecto mais destacado nas propagandas do lugar.

Você deve estar se perguntando a essa altura sobre o tsunami de 2004 e se esse hotel sofreu ou não naquela catástrofe. Pesquisamos na internet e descobrimos que ali, especificamente, não houve nenhuma morte.

Quando o mar recuou, na manhã daquele fatídico dia, as poucas pessoas que estavam na praia ficaram confusas e foram deixando o lugar, porque nem os pescadores nem os vendedores ou o pessoal do hotel sabiam direito o que estava acontecendo. Geralmente, não há muita gente na praia de manhã porque ela é voltada para o oeste e a leste, onde o sol nasce, há montanhas que o tapam até umas 10h da manhã.

Em seguida, quando a primeira onda forte veio, as poucas pessoas que tinham deixado pertences pessoais na praia os perderam, porque o mar puxou várias cadeiras de praia e guardassois. O mar bateu na mureta que separa o hotel, mais elevado, da praia.

Os impactos seguintes acabaram subindo pela mureta de pedra e avançando para dentro do hotel. As piscinas foram cobertas por água salgada e o restaurante mais próximo do mar foi bastante danificado, com algumas partes sendo arrastadas para o mar. No impacto mais forte, as águas avançaram para dentro dos quartos que ficam no térreo, encharcando tudo e inutilizando móveis – mas foi só isso, só danos materiais.

O tsunami fez mais vítimas em praias mais rasas e abertas, como Patong, porque nesses lugares a onda acaba saindo para fora muito alta. Kata é mais profunda, por isso não sofreu tanto.

Bom, mas voltando a falar do hotel, achamos o lugar muito agradável, muito espaçoso, mas sem nenhuma regalia extra. Você só ganha aquilo pelo que efetivamente pagou. Os quartos não são nada demais e, por conta da expectativas que vínhamos criando depois de excelentes supresas em Bangkok e Chiang Mai, acabamos até ficando meio decepcionados com o Katathani, que foi o lugar mais caro onde nos hospedamos naquela viagem.

Mesmo assim, recomendo o lugar, porque ficam realmente num cantinho reservado, tranquilo, limpo, bonito e muito legal da ilha. Mas esteja preparado para enfrentar grandes distâncias se quiser sair de lá para fazer passeios ou mesmo para dar um pulo nos lugares mais movimentados à noite. O trânsito e as distâncias desanimam e fazem querer ficar por ali mesmo.

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