24/12/2008

Berlin - a divisão

A escolha de descansar naquela tarde, enquanto chovia, revelou-se acertada. Por volta das 18hs, o tempo já havia melhorado e estávamos descansados para conhecer uma das atrações mais conhecidas da cidade: o Checkpoint Charlie, com o seu museu.

Checkpoint Charlie era, na verdade, o posto de controle “C”, no alfabeto aeronáutico. Era o único ponto de passagem entre Berlin Ocidental e Berlin Oriental para estrangeiros não residentes em Berlim e para diplomatas. Os cidadãos locais podiam passar de um lado para o outro através de outros diversos postos de controle ao redor do muro – alguns eram destinados só para cargas, outros só para cidadãos do leste, outros só para fins médicos, e por aí vai.

Checkpoint Charlie acabou sendo o mais famoso porque era justamente a porta de entrada dos turistas que queriam conhecer o “lado de lá”. Também acabou ficando famoso por causa de algumas fugas e tentativas de fuga usando credenciais diplomáticas falsas.

Nesse posto de controle, dizia-se, estava a mais perfeita figura da Guerra Fria: de um lado, soldados americanos, integrantes da Força de Ocupação da Alemanha Ocidental; de outro, soldados comunistas, da DDR. Algumas vezes, por ameaças de invasão, tanques e armas chegavam a ficar apontados um para o outro nesse posto, que hoje nada mais é do que uma barraquinha com uns sacos de areia em formato de trincheira no meio de uma rua próxima ao centro de Berlin.

O lugar é conhecido também porque ainda hoje se vendem carimbos da DDR. O turista paga uns euros e ganha uma carimbada no passaporte, para brincar que esteve na Alemanha Oriental. Há também uma famosa placa, avisando que o pedestre deve tomar cuidado porque está deixando o Setor Americano (a original não existe mais).

O museu Haus am Checkpoint Charlie é particular e cobra um preço bem salgado, quando comparado a outras atrações. Ele conta a história da divisão da cidade, dando detalhes da construção e da demolição do muro, mas centrando a narrativa nas experiências individuais de quem fugiu e de quem morreu tentando fugir do Leste para o Oeste. São fotos, filmes de curta duração, objetos e inclusive veículos dispostos de uma forma meio caótica retratando as formas mais absurdas possíveis de tentativas de fuga – desde caixões em que as pessoas se fingiam de mortos, a túneis, barcos para fugir pelo rio ou balões de ar quente.

Eu esperava um pouco mais do lugar, mas mesmo assim recomendo uma visita.

Na saída, demos umas voltas ainda pela região para ficar brincando de leste-oeste, mas como já estava tarde, voltamos para o albergue. Novamente não nos animamos a sair, já que era terça (e dizem ser esse o dia mais fraco na noite berlinense). Aproveitamos novamente para ficar no bar do albergue.

Foi lá que conhecemos uma figura daquelas... Um brasileiro que se dizia Oficial de Justiça, aparentemente sempre bêbado, que já tinha falado conosco na noite anterior, insistiu que todos fôssemos tirar uma foto com ele, com uma bandeira grande do Brasil na frente. Ele dizia, todo empolgado, que nunca ninguém tinha feito isso e que seria muito legal. Queria, inclusive, que fôssemos acordar o Marcelo, que àquela hora já devia estar no quinto sono.

Depois da questão se tornar inevitável, conseguimos convencer o cara a tirar a foto em outro lugar que não no bar, para não pagarmos ainda mais mico. Fomos para a entrada do albergue e tiramos ali mesmo, acalmando assim o nosso “empolgado” amigo.

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