07/02/2011

Do Parque Nacional dos Lagos de Plitvice a Zagreb

Depois de terminarmos o passeio pelo Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, de que falei nos últimos posts, era chegada a hora de conhecer o lugar onde passaríamos a noite.

Como combinado no início da tarde, voltamos até a frente da agência de correio onde encontramos a proprietária e ligamos para que viessem nos buscar. Em 10 minutos, o dono da pousada apareceu, com o mesmo carro, mas como estávamos sem os mochilões coubemos bem.

Nunca acharíamos a tal pousada sozinhos. Além de longe (seria certamente pelo menos 30 minutos de caminhada, se soubéssemos para onde estávamos indo), o caminho era cheio de bifurcações e curvas, no meio de uma floresta que não parecia mudar muito de um lugar para o outro.

Ao chegarmos lá, parecia que estávamos entrando numa casinha de algum lugar como Canela ou Gramado. Um vilarejo rural, com casas rodeadas de jardins de flores, sem muros ou cerca, sendo que uma delas - em nada diferente das demais - era a pousada que tínhamos reservado pelo Hostelworld.

Lá dentro, ocupamos dois quartos que ficavam separados do resto da casa quando uma porta do carredor era fechada. Compartilhamos entre os dois quartos um banheiro, mas era só para nós. Tudo arrumadinho, limpo, cheiroso, com cobertas macias e um ambiente bem aconchegante. Completamente diferente de todos os lugares em que tínhamos nos hospedado naqueles últimos quase 20 dias.

A descrição do lugar seria mais precisa se revelasse que, na verdade, era uma casa de família que alugava dois quartos. O casal dormia no quarto ao lado, com uma filha pequena de uns 4 anos de idade. Foram muito atenciosos em explicar como seria o café da manhã (que acabamos só aproveitando um pouco, porque saímos muito cedo) e como deveríamos fazer para pegar o ônibus para Zagreb numa parada na estrada bem próxima de onde estávamos.

Para a janta, nos recomendaram uma pizzaria (acho que na verdade é o único lugar para comer fora nas redondezas) que fecharia por volta da meia-noite. Para chegar lá, tínhamos que caminhar algo entre 5 e 10 minutos por umas ruazinhas pacatas, sem quase nada de casas ao redor.

Depois de um banho e das últimas arrumações na mochila, saímos para a janta e nos deparamos com um restaurante lotado de gente, sem lugar para nós. Ficamos no bar (apesar da cara feia dos garçons) e fomos tomando cerveja enquanto esperamos uma mesa ser liberada. Quando conseguimos uma, sentamos do lado de fora, mas o vento começou a esfriar e uma chuva fina tornou o lugar frio demais para que ficássemos ali. Foi a primeira vez na viagem em que passamos frio, depois de dias sob um calor de até 35°C. Detalhe: o lugar era uma estação de esqui, só que como era verão, tudo parecia um grande gramado verdinho.

Após a janta (a pizza, que era a única opção do cardápio, até que era bem boa), voltamos na mais completa escuridão até a casa onde dormiríamos, brincando que a qualquer momento um urso poderia aparecer (já que essa era a "ameaça" de algumas placas e folhetos sobre o lugar).

Depois da melhor noite de descanso de toda a viagem, com jeito de quem estava dormindo na casa da avó, acordamos por volta das 5h30 da manhã para pegar o ônibus que passaria a qualquer minuto entre as 6h30 e as 7h00 em direção a Zagreb. Quando acordamos, escutamos a chuva bem grossa caindo do lado de fora e quando abrimos a janela demos de cara com o tempo mais feio de todo o mochilão pelos Bálcãs.

Comemos algo, tomamos banho e nos fomos à parada. Havia apenas mais uma pessoa esperando, que se mostrou muito curiosa com nossa língua, que ele não conseguia adivinhar qual era até que decidiu perguntar. Por sorte, não nos molhamos (a chuva virou garoa na hora em que saímos) e o ônibus não demorou mais do que uns 10 minutos para chegar.

Embarcamos e colocamos as coisas no bagageiro. O ônibus estava ainda mais vazio do que aquele em que viemos até lá e por isso conseguimos novamente duas poltronas para cada um.

A viagenzinha de cerca de 5 horas foi preguiçosa e lenta, com chuva em quase todo o percurso. A paisagem não tinha nada de interessante e só começamos a prestar atenção na janela quando chegamos perto das cidades maiores ao redor da capital croata.

Depois de uma paradinha de 10 minutos na rodoviária de Karlovac (a cidade que faz a cerveja que mais tomamos na viagem), chegamos a Zagreb em cerca de meia hora. A chuva continuava e como a cidade não tem metrô, só uns bondes e trólebus eletrétricos, achamos melhor pegar um táxi até nosso albergue.
A recepção de Zagreb não foi das melhores. Um sábado chuvoso e feio, com ruas quase desertas e com a maioria das atrações fechadas. Mesmo assim, insistimos em fazer alguns passeios, como contarei no próximo post.

2 comentários:

Carol Tavares disse...

Oi, você saberia informar o nome do hostel? Era p´roximo ao parque Plitvice?
Vocês compraram a passagem do onibus pela internet ou na hora? sabe onde poderia me informar sobre os horários?

André Augusto Cella disse...

Olá,
Os ônibus são daqueles que param ao longo da estrada e a passagem é paga diretamente ao motorista. Só cidades maiores é possível comprar uns dias antes na estação rodoviária.
O hostel de Zagreb era o HoboBear Hostel. Em Plitvice, ficamos numa pousada familiar chamada Villa Katja, que aparece no Hostelworld (não há albergues).