17/02/2011

Centro de Santiago

O centro de Santiago, ao contrário do que pode sugerir uma cidade com milhões de habitantes e conhecida pela poluição e pelos engarrafamentos, é um lugar relativamente tranquilo e fácil de conhecer a pé.

Apesar de haver muito movimento nas peatonales (calçadões), especialmente o Paseo Ahumada, onde se concentram a maior parte das lojas de departamentos, de sapatos e de moda feminina, as demais ruas têm um movimento normal.

Para conhecer as principais atrações dessa parte da cidade, não é preciso caminhas mais do que umas seis quadras. O trecho entre a Plaza de Armas, o Palacio de la Moneda, o antigo Congresso Nacional e a igreja de Santo Domingo concentram a maior parte dos museus, prédios públicos, templos e monumentos dessa parte mais tradicional de Santiago.

Ao redor da Plaza de Armas (cuidado para não dar muita bobeira, pois apesar da tranquilidade e das rondas de policiais turísticos, há avisos para se precaver contra batedores de carteira), estão a Municipalidad (prefeitura) e o Museu Histórico Nacional. Esses são os dois prédios próximos à estátua de Pedro de Valdivia (fundador da cidade) a cavalo.
Nesse museu, estão a maior parte dos objetos, quadros e bustos relacionados à independência do Chile e à época em que o país era colônia espanhola. A visita vale a pena para quem se interessa por história, porque não há objetos ou obras especialmente bonitas para se ver lá. Como tive vários dias na cidade da primeira vez que fui, com a minha então namorada e hoje esposa, deixamos para fazer a visitação no domingo pela manhã, quando a entrada é gratuita (hehehe).

Na própria Plaza de Armas, há algumas atrações, como um mapa em bronze do centro histórico da cidade, como era antigamente, colado no chão. Há várias fontes de água, uma delas dedicada a Simón Bolívar e vários banquinhos para ficar tomando um sorvete ou simplesmente descansando enquanto consulta o guia para ver o que fazer em seguida.
Escondida no canto oposto ao cavalo de Valdivia, fica um dos monumentos mais famosos do Chile, o Monumento al Pueblo Indigena, que é meio moderninho e tenta passar a ideia de que a cultura daqueles povos, embora parcialmente destruída pelo colonizador, ainda está presente (foto acima).

A Catedral Metropolitana também fica nessa praça e é possível visitá-la em qualquer hora do dia. Apenas existe restrição a fotos e a barulho durante as missas. O interior lembra aquele das igrejas coloniais de Cusco, com santos e imagens religiosas com traços indígenas, algumas enfeitadas com cabelo de verdade.
Um clichê irresistível é a foto do contraste entre a catedral, bem antiga, e o prédio moderno coberto de espelhos que fica ao seu lado, na outra esquina, e que reflete a imagem da igreja.

Uma quadra e meia da praça, seguindo pela Calle Merced, dá-se de cara com o prédio do antigo Congresso Nacional chileno. O prédio ainda existe como arquivo e para o funcionamento de órgãos internos do Legislativo Nacional, mas os deputados não trabalham nem se reúnem mais ali. É possível apenas circular pelos jardins, pois o interior é vetado para turistas.
Como uma das medidas para evitar manifestações populares e afastar ainda mais o centro das decisões do povo, o ditador Augusto Pinochet transferiu a sede do Legislativo para Valparaíso, num prédio moderno e horrível de feio, que fica próximo à estação rodoviária daquela cidade.

Em frente ao antigo Congresso, do outro lado da rua, está o Tribunal de Justiça mais alto da estrutura do Judiciário chileno. O prédio é aberto porque o tribunal funciona ali, mas apenas advogados, juízes e funcionários circulam lá por dentro.

Umas duas quadras em direção ao sul, pela Calle Morandé, fica a Plaza de la Constitución, onde se pode ver a fachada mais bonita do Palacio de la Moneda. Ali, em 1973, o ditador Augusto Pinochet mandou a aeronáutica chilena soltar bombas sobre o governo comunista, num golpe que culminou no suposto suicídio do presidente Salvador Allende, no 11 de setembro dos chilenos.
Uma estátua do ex-presidente foi colocada bem na esquina à direita do Palacio de la Moneda, nessa mesma praça.

O Palacio de la Moneda tem uma passagem interna bem no seu centro, que era aberta ao trânsito do público até alguns anos atrás, mas que hoje encontra-se fechada por questões de segurança. Também era possível fazer visitações internas da sede do governo, mas hoje em dia as datas são cada vez mais restritas e os procedimentos de agendamento cada vez mais complicados.

Em horas determinadas, há uma troca de guarda em frente ao palácio, que acaba sendo a única atração interessante do lugar, fora a simples olhada de seu lado exterior.

Nenhum comentário: