10/02/2011

Zagreb - parte II

O albergue que reservamos em Zagreb foi uma grata surpresa. O tal Hobo Bear tinha bem cara de albergue: ficava no subterrâneo e num andar de um prédio residencial clássico, antigão, bem no centro da cidade, a menos de quatro quadras da praça principal.
Tanto a área de uso comum (essa que aparece na foto acima) como nos quartos do andar subterrâneo, a impressão era de estar numa adega (ou numa prisão, hehehe). Com o clima chuvoso e fresco do lado de fora, o lugar parecia ainda mais aconchegante. Um cachorrão peludo desses bem pacatos, que vão com qualquer estranho, circulava por ali como que sendo uma atração para os hóspedes brincarem e ficarem passando a mão.

Um barzinho com cerveja numa temperatura bem melhor do que a média das lojas da Croácia, internet liberada, TV com Sky num sofazão e uns guias de viagem para compartilhar completavam a área social. Nos quartos, dois beliches num espaço um tanto apertado (como o teto é baixo, quem tem claustrofobia pode até se assustar), mas tudo muito tranquilo. Os banheiros, no andar de cima e debaixo, davam conta do público que não era muito grande naquele dia.

Os atendentes também eram muito simpáticos e prestativos, principalmente depois de umas cervejinhas. Não sei se eles não tomaram prejuízo (ou se o cara foi demitido no dia seguinte), mas a cada rodada de cerveja a próxima era por conta dele... Perguntamos bastante sobre o que tinha para se fazer na cidade, mas tanto o atendente da manhã, como o da tarde e a da noite foram enfáticos ao dizer que tínhamos chegado na cidade num dia ruim, porque todo mundo estava de férias nas universidade e tinha ido para o litoral ou para parques nacionais.

Zagreb, segundo eles, é uma cidade com perfil universitário que tem bastante agito o ano inteiro - exceto nesses períodos de férias. Quem sabe se a pessoa se programa para outra época não dê mais sorte.

Já chegava o meio da tarde e a chuva ficava cada vez mais forte. Não tínhamos almoçado propriamente, apenas feito lanches, e por isso decidimos então fazer o programa mais óbvio num dia de chuva e com fome: encarar um shopping. Pegamos as instruções com o atendente do hostel, compramos uns tickets de bonde na banquinha de revista ali perto e embarcamos quase em frente ao hostel para uma viagem de mais de 20 minutos de bonde, até o lado sul da cidade, onde ficava o maior shopping perto do centro (havia outros fora da cidade).

Tomamos um aguaceiro na hora de descer do bonde e atravessar a avenida, mas depois demos graças pela escolha. O shopping, chamado Avenue Mall, tinha bastante lojas de marca, esportivas e sociais, além de bastante opções para presentinhos de último dia de viagem para trazer para o Brasil. Os preços eram parecidos com o que já estávamos acostumados na Croácia e assim pudemos ocupar a tarde que, de outra forma, teria sido perdida.

Encaramos uma espécie de buffet self service, achando que seria como um buffet livre ou por quilo aqui no Brasil, mas demos de cara com atendentes que serviam porções pré-determinadas com preço fixo num bandejão à medida que íamos passando. Não saiu caro, cerca de 25 reais por pessoa, mas a comida não era lá essas coisas. Pelo menos deu para sentir gosto de arroz, frango e outras coisas mais "normais" que há vários dias não víamos.

Já passava das 18h30 quando decidimos que era hora de ir embora. Pegamos um bonde na frente do shopping e voltamos até o centro. Como a chuva dera uma trégua, descemos umas duas paradas antes da nossa e fomos caminhando.

Como de manhã, tudo estava meio fechado, as ruas meio vazias e nada chamava muito a atenção.

À noite, ainda demos uma última chance a Zagreb. Perguntamos qual o melhor lugar para tentar sair em algum bar, comer alguma coisa e tivemos a resposta de que SE, e apenas SE, houvesse alguma coisa para fazer na cidade naquele sábado no fim de julho, esse lugar era o lago Jarum.

Para chegar lá, no entanto, passamos por uma das maiores indiadas de toda a viagem. Seguimos à risca as instruções: pegamos o mesmo bonde que usamos para ir ao shopping, mas ao invés de converter à esquerda, na saída do centro da cidade, pegamos uma linha que ia para a direia, a sudoeste. Andamos mais algumas estações no bonde, quase vazio àquela hora da noite, e descemos onde nos tinham dito para parar.

Aí é que começou o problema. Disseram-nos que teríamos que caminhar uma quadra e meia até a região do lago e cruzar uma pontezinha. O problema é que ninguém disse que era um lugar totalmente deserto (além de nós apenas três guris meio arruaceiros estavam indo para aqueles lados), com pouquíssima iluminação e que, quando o asfalto acabasse, teríamos de caminhar em ruas de chão batido.
Quando vimos por onde tínhamos de passar, paramos e conversamos. Eu fui um dos que queria voltar, mas de comum acordo concluímos que se chegamos até ali não valia a pena voltar. Embora estivéssemos com um pouco de medo, éramos quatro marmanjos e dava para ouvir alguma coisa de música ali por perto, na direção para onde íamos.

Passamos uns atalhos, uma ponte, umas ruelas e se não me engano até uma cerca, mas finalmente chegamos no dito lago Jarum. Como era de se esperar, até havia alguns bares e restaurantes com cara ajeitadinha ao redor do lugar, mas quase tudo estava fechado ou com bem pouca gente.

Depois de algumas cervejas, fizemos algo inteligente: saímos pelo outro lado, onde havia táxi (mas não bonde) e pagamos uma corrida de volta até o albergue, para uma boa noite de sono.

No domingo de manhã, era hora de arrumar as malas e dar adeus à Croácia, depois de muitos dias bem passados no país. Acertamos na recepção um táxi agendado para nos levar até lá (cerca de 70 reais para todos, num trajeto de quase 25km) e saímos com a antecedência suficiente para um check in tranquilo. Quando chegamos, aliás, o aeroporto parecia meio sonolento, e nem mesmo havia pessoal da Turkish trabalhando no check in ainda.

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