20/08/2011

Dinheiro na viagem ao exterior


Depois de perceber que o brasileiro se tornou um dos turistas que mais gasta dinheiro nos países que visita, o Governo Federal pretendeu “estancar” a sangria de recursos aumentando impostos sobre as compras feitas com cartão de crédito no exterior.

O IOF, imposto que incide nesse tipo de operação, saltou de 2,38% para 6,38%, colocando sérias dúvidas sobre a conveniência de continuar usando esse instrumento fácil e seguro de ter dinheiro numa viagem fora do país.

Vários artigos em vários blogs de viagem foram escritos para tentar analisar qual a melhor estratégia diante desse novo quadro, mas nenhum consenso final existe a respeito. “Não há uma resposta simples para esta pergunta”, como bem disse o Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, da Abril.

“Além da paulada do IOF de 6,38%, o turista ganhou um monte de cálculos para fazer. (...) Não existe operação de câmbio em que você não saia perdendo. (...) A questão não é só 0,38% versus 6,38%. (...) Não é porque o IOF de uma modalidade é menor do que outra que o custo final seja necessariamente menor. Não é porque o site cobra em reais que seu preço vai ser sempre menor do que o site que cobra em dólar. Muita gente deve aparecer com essa história de 6% mais barato. Mas é preciso comparar preço a preço.”, continua.

A análise feita pelo blogueiro, que uso como base para esse post, fez a análise das alternativas existentes ao viajante: dinheiro em espécie, cheques de viagem, saques com cartão de débito, cartão de crédito e cartões pré-pagos de viagem.

O que é importante é lembrar que cada banco tem suas próprias taxas de serviços, suas próprias taxas de conversão e que alguns meios são feitos com valores pré-fixados; noutros só se terá certeza de que taxa de câmbio será paga quando a fatura chegar, até 40 dias depois da viagem.

Prós e contras de cada canal de câmbio para viagens internacionais:

DINHEIRO EM ESPÉCIE (DÓLAR, LIBRA, EURO OU QUALQUER MOEDA LOCAL) COMPRADO EM CASAS DE CÂMBIO OU BANCOS

Prós: IOF continua em 0,38%. Você garante a cotação do dia da compra, sem sustos posteriores.

Contras: é vendido pela cotação turismo, bem mais alta do que a cotação comercial divulgada em jornais e na internet. Se for uma moeda pouco comum no Brasil, talvez seja impossível comprar aqui (e se trocar por dólar para depois trocar por moeda local, perde duas vezes). A casa de câmbio, muitas vezes, cobra taxas fixas ou em percentuais para cada troca de moeda. Não é seguro levar grandes quantidades, porque se te assaltarem ou perder o dinheiro, já era. Se precisar trocar de novo no exterior, dá trabalho (e custa tempo) para procurar a casa de câmbio onde a perda seja menor, o que torna isso inviável em lugares menores no interior. Há muitos problemas com notas falsificadas ou muito desgastadas, que não serão aceitas nem trocadas fora de bancos.

SAQUE INTERNACIONAL DE MOEDA LOCAL EM CAIXA AUTOMÁTICO PELA OPÇÃO DÉBITO

Prós: IOF continua em 0,38%. Em alguns bancos a cotação é mais próxima ao dólar comercial (consulte seu banco para saber). Como é a débito, você garante a cotação do dia do saque, sem sustos posteriores, tendo o dinheiro sacado da conta imediatamente. Em caso de perda ou furto, pode ser bloqueado e é substituído em poucos dias.

Contras: há taxas para cada saque, que variam de banco para banco, de conta para conta e de rede para rede (geralmente algo em torno de US$ 2,00 a US$ 3,00 por saque, o que pode ter o impacto minimizado se forem feitos pequenos saques de grandes valores). Há limites de saques por dia, semana ou mês (conforme o banco), por isso a pessoa pode ficar sem ter como sacar dinheiro. Geralmente, não garante o cômputo de milhagens no cartão, ou tem uma milhagem menor. Em alguns países, essa operação não funciona e você acaba fazendo, na verdade, um saque da opção crédito.

SAQUE INTERNACIONAL DE MOEDA LOCAL EM CAIXA AUTOMÁTICO PELA OPÇÃO CRÉDITO OU COMPRAS NO CARTÃO DE CRÉDITO

Prós: Cotação é próxima ao dólar comercial (consulte seu banco para saber). Segurança e garantia de que qualquer lugar do mundo que lide com cartões de crédito permitirão um saque ou compras nessa modalidade. O pagamento só ocorrerá com a fatura do cartão, ou seja, no mês seguinte à viagem. Gera milhagens no valor máximo permitido pelo cartão.. Em caso de perda ou furto, pode ser bloqueado e é substituído em poucos dias.

Contras: caso haja um aumento do câmbio até o fechamento da fatura, você pode tomar um susto. Há taxas para cada saque (mas não para compras), que variam de banco para banco, de conta para conta e de rede para rede (geralmente algo em torno de US$ 2,00 a US$ 3,00 por saque, o que pode ter o impacto minimizado se forem feitos pequenos saques de grandes valores). Há limites de saques por dia, semana ou mês (conforme o banco), por isso a pessoa pode ficar sem ter como sacar dinheiro, embora ainda tenha limite para compras. IOF subiu para 6,38% (embora ainda haja dúvidas com relação a isso, no que tange aos saques, havendo casos em que pessoas já viram ser taxado em apenas 0,38%).

CARTÃO DE DÉBITO PRÉ-PAGO (Visa Travel Money, Cash Passport Visa/MasterCard, Global Traveler American Express)

Prós: o IOF continua em 0,38%. Você garante a cotação do dia da compra, sem sustos posteriores. O cartão pode ser recarregado à distância, por internet banking. Funciona como plano B para contratempos (seria o sucessor moderno do cheque de viagem). Em caso de perda ou roubo, é substituído durante a viagem. Em muitos países funciona com senha, o que aumenta a segurança. Pode ser emitido em dólar, euro ou libra.

Contras: é vendido na cotação-turismo e, uma vez comprado, só pode ser recarregado na corretora que vendeu o cartão (não dá para recarregar numa corretora que eventualmente venda a moeda por uma cotação melhor). Funciona melhor para compras do que para saques (há incidência de taxas a cada saque, e o limite por operação é baixo). Não funciona 100% em compras online. A conversão para outras moedas (diferentes da moeda que foi carregada) incorre em taxas maiores do que as dos cartões de crédito.

TRAVELLER CHEQUES

Prós: o IOF continua em 0,38%. Em caso de perda ou roubo, é restituído. Nos Estados Unidos funciona como moeda corrente: qualquer comerciante vai aceitar e dar muitos estabelecimentos aceitam e dão troco em dinheiro vivo, sobretudo hotéis e lojas de departamentos.

Contras: é vendido na cotação turismo. Fora dos Estados Unidos, dá um trabalhão para ser trocado; encontrar quem troque sem taxa está cada vez mais difícil.

SITES DE COMPRAS E RESERVAS BRASILEIROS

Tudo que puder ser pago em sites e agências no Brasil (ou com filiais no Brasil) não terá qualquer desses adicionais (imposto, taxas de serviço, etc.) e será liquidado em real. Logo, o melhor é comprar passagens aéreas, seguros de viagem, fazer reservas de hospedagem (até pagando antecipado algumas delas) aqui mesmo, antes de sair de casa.

Em compensação, se fizer qualquer compra ou reserva em sites como Expedia, Hostelworld e outros tantos mundo afora, é a mesma coisa que comprar no exterior.

2 comentários:

Chris disse...

Estou passando por esse conflito atualmente. Quero fazer uma viagem para Europa e ainda não decidi como efetuarei minhas compras por lá. Tenho uma dúvida: Estou com certa quantia de moeda estrangeira em espécie, quantia que não quero levar por completo em mãos. Será que posso efetuar uma recarga no VTM sem passar pelas taxas de câmbio? Outra coisa: como quero deixar as despesas fixas de hotéis já pagas, gostaria de receber algumas dicas de sites basileiros confiáveis em que eu possa acertar, não só a reserva, mas tb o pagamento. Não quero ter surpresas com o meu cartão de crédito na volta, rsrs. Obrigada!

André Augusto Cella disse...

Com relação ao VTM, acredito que não, porque os bancos brasileiros teriam de dar entrada nesse dinheiro estrangeiro apenas para um contrato de câmbio, não para fazer o pagamento de uma transação com a operadora de cartão de crédito. Talvez no exterior, mas aí teria que levar o dinheiro p fora (o que dá na mesma).
Já no que tange aos hotéis, costumo reservar e pagar antecipadamente os hotéis da rede BestWestern e os da rede Accor (Ibis, Mercure, etc). Nunca tive problemas. Só que acredito que mesmo assim eles faturem em euro ou dolar, o que não afasta o imposto. Na prática, só sites nacionais de pacotões fazem escapar do IOF.