11/09/2011

La Boca

Uma das coisas mais estúpidas que já fiz em todas as minhas viagens foi ter decidido ir a pé, sem conhecimento prévio algum e nem um mapa, até o Estádio do Boca Juniors.

Qualquer gringo em viagem à América do Sul e qualquer pessoa que trabalhe com turismo em Buenos Aires teria dito como a coisa mais óbvia do mundo que o bairro de La Boca não é lugar onde se possa ficar andando à toa, sem rumo - no entanto, eu só ouvi isso depois que já tinha ido até lá, causando assombramento nas pessoas que me contaram o pequeno "problema" da zona.

Embora duas das atrações mais conhecidas da cidade fiquem na Boca - o Caminito e o Estádio da Bombonera, esses lugares são considerados como os únicos pontos seguros do lugar. É chegar de táxi ou de ônibus, descer na frente, entrar, e depois voltar dali mesmo. Embora menos de duas quadras separem o Caminito da Bombonera, até mesmo a polícia local não estimula que os turistas façam esse curto percurso a pé.

Num jogo do Grêmio na Libertadores, um pessoal que saiu em excursão aqui do Estado foi assaltado ao simplesmente errar uma rua e acabar num beco sem saída. Levaram até os ingressos do jogo, sem falar em todo o resto.

Felizmente, nada me aconteceu - mas eu bem que estranhei não ver quase uma viva alma andando pelas ruas bem empobrecidas do lugar, além de longas avenidas com terrenos baldios ou prédios industriais fechados. Só quando estava chegando bem perto do estádio é que me juntei a dois israelenses mochileiros que estavam ainda mais perdidos do que eu (afinal, nem o nosso alfabeto eles sabiam ler direito).
Nessa primeira vez em que estive na Boca, fiz o tour guiado por dentro do estádio da Bombonera, no qual se entra nas arquibancadas, nas cabines de imprensa e na sala de troféus - além da previsível lojinha no final. Há ainda o Museo de la Pasión Boquense, onde o clube mais popular da Argentina tenta ilustrar o porquê de tanta adoração.
Uma das coisas que me chamou a atenção, tanto naquela como em outras vezes que voltei ao bairro, é o fato de que Maradona é realmente muito mais amado e adorado na Argentina do que qualquer jogador de futebol já foi aqui no Brasil. Alguém imagina alguma pichação num subúrbio carioca com frases ou desenhos endeusando Pelé ou Ronaldinho? Pois é, em Buenos Aires (e especialmente na Boca) isso acontece... e em vários lugares.
Andando pelas ruas de La Boca, não é difícil ver as casas que dão um caráter especial ao bairro: aquelas revestidas por chapas metálicas, muitas retiradas de embarcações. Cada uma tem uma cor diferente, mas onde não há turista, a imagem que se tem é de imóveis em estado bastante precário, com chapas quase todas enferrujadas e muitas já com o colorido bastante apagado.

Mais perto do porto antigo, nas margens do Riachuelo, com águas quase paradas, o cheiro da poluição é bastante forte e há muitos barcos abandonados, o que não faz do lugar uma "atração".
Voltando em direção ao centro, passei por uma parte onde há prédios residenciais mais altos, construídos possivelmente nos anos 60 e 70, que dão uma cara de país soviético à região. O trânsito pesado de caminhões (às vezes interrompido por trens que vão e vêm do porto) que desviam do centro da cidade, vindo do norte e indo para o aeroporto ou para Mar del Plata e La Plata (ou vice-versa) torna o lugar ainda pior.

Quando finalmente cheguei no Parque Lezama (que eu não sei exatamente o porquê, mas consta como ponto turístico a ser visitado na cidade, supostamente por ser o ponto onde a cidade foi fundada ou por ser o parque mais antigo de todos), já me senti mais em casa, pertinho do lugar onde ficava meu albergue, em San Telmo. E, sem saber de nada ainda, tinha terminado uma "aventura" para os gringos mais informados.

3 comentários:

mateus disse...

oi andré! eu sei que é meio abusivo, mas eu e minha irmã estamos planejando fazer uma viagem pra europa e não fazemos a mínima noção de como começar a preparar tudo e tal, quais são os melhores caminhos de cada lugar pra cada lugar. a gente já decidiu as cidades e quantos dias queremos passar em cada uma, mas não sabemos como ir de uma até a outra e qual seria a melhor ordem. como você já viajou várias vezes esperava que pudesse me ajudar um pouco, dentro dos seus limites. a gente tá pensando em ficar 4 dias em paris, 4 em londres, 2 em amsterdã, 2 em praga e 3 em roma, indo e voltando por paris. as cidades nessa ordem são uma boa ideia? quais são os melhores meios pra ir de uma até a outra? obrigado

André Augusto Cella disse...

Olá,

Acho que nesse roteiro, vcs devem fazer de trem obrigatoriamente o trecho entre Amsterdam e Paris. Só se realmente quiserem conhecer o Eurotunnel façam o trecho entre Paris e Londres de trem, senão é avião mesmo. Com relação aos demais trechos, façam todos de avião low cost, ou "emendando" nas passagens de ida e volta no Brasil (um agente de viagens poderá fazer isso p vcs).
Eu sugeriria começar pela cidade por onde vcs escolherem chegar na Europa (isso depende do preço da passagem e da cia.). Assim, ou chegam por Paris (Air France ou TAM), ou chegam por Amsterdam (KLM), ou Londres (TAM ou British) ou Roma (Alitalia).
Na sequência, sugiro:
Roma - Praga - Amsterdam - Paris - Londres.
Deixem para conhecer Paris mais pro final da viagem, senão outras atrações poderão parecer "menores" depois das grandiosidades vistas em Paris...

mateus disse...

muito obrigado