13/09/2011

San Telmo

San Telmo, o bairro onde me hospedei naquela primeira vez em que conheci Buenos Aires, é um dos mais simpáticos da cidade. Não tem a agitação e o trânsito poluído das áreas mais centrais, como os arredores da Florida ou do Obelisco, nem o desfile de moda de algumas partes de Palermo, mas passa longe da precariedade da Boca. Em compensação, fica a um pulo da Plaza de Mayo e tem bastante lugares para comer, sair, beber, fazer compras.
Tecnicamente, ele começa na Avenida Belgrano, paralela à Avenida de Mayo, e vai até o Parque Lezama, tendo a Autopista 25 de Mayo (que leva ao aeroporto de Ezeiza) cortando-o quase que pela metade, a apenas duas quadras da sua praça central. Mas o San Telmo de que estou falando é só aquele "da autopista para cá", ou seja, o lado mais próximo do centro.

A maior parte dos estabelecimentos comerciais, dos hotéis e dos restaurantes do bairro funciona em casas com estilo colonial, com fachadas bem sóbrias, pisos de madeira e pés direitos bem altos. Ao redor da Plaza Dorrego, onde funciona a famosa feirinha de San Telmo, concentram-se a maior parte dos bares, dos antiquários e dos restaurantes do lugar.

Algumas ruas ainda são de paralelepípedos, inclusive mantendo os trilhos de antigos bondes que passavam por ali. Assim é a Calle Chile, onde fica o albergue em que eu estava.

A qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana, sempre tem alguma coisa acontecendo por ali. Não precisa ser domingo de manhã, como dizem a maior parte dos guias de turismo da cidade. Aliás, domingo tem gente demais, isso sim.
Logo depois que Buenos Aires (e agora a Argentina) decidiu legalizar o casamento gay, a cidade passou a ser considerada como um dos principais destinos para esse público, e teoricamente muitos teriam escolhido San Telmo para se hospedar, inclusive havendo hotéis e pousadas direcionadas quase que exclusivamente a esse mercado. Confesso que não vi nada fora do comum (quem já viu Barcelona, Ibiza, partes de Ipanema ou Mykonos sabe bem o que é destino gay).

Pra completar, San Telmo ainda tem várias igrejas bem antigas, num estilo bem sóbrio, algumas delas com heranças jesuíticas. Algumas chegaram a ser usadas como refúgio durante conflitos civis e na época da Independência argentina.

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