20/09/2011

Puerto Madero


Puerto Madero é o bairro de Buenos Aires que surgiu do meio de galpões portuários abandonados e que tem sido citado, desde os anos 90, como o maior exemplo de revitalização de uma área urbana degradada na América Latina. Hoje, o que se vê por lá são hotéis de luxo, restaurantes para todos os gostos, muitos bem chiques, uma reserva ecológica boa para andar de bicicleta e algumas outras atrações, como a Ponte da Mulher, a Fragata Sarmiento e, mais para os lados da Boca, um barco cassino. A filial da boate espanhola Pacha também fica no bairro.

Tudo isso fica a apenas umas duas quadras atrás da Casa Rosada, que está no coração do centro de Buenos Aires. Ou seja, muito perto de tudo.

A característica desse peculiar bairro é uma sequência de mais de 2km de prédios com cara industrial, de tijolos à vista, mas recheados com escritórios de arquitetura, sedes de empresas modernas, e até apartamentos, nos andares superiores, e restaurantes e mais restaurantes nos andares inferiores.

Tudo isso é contornado, de um lado, por uma avenida bem movimentada que o separa do resto da cidade e que dá acesso a estacionamentos subterrâneos, próximos dos restaurantes, e de outro lado por um calçadão que serve de pista de cooper, lugar para levar o cachorro para passear ou simplesmente local para caminhar lentamente tomando mate, enquanto se olha para o rio e para os prédios altos dos hotéis de luxo do outro lado.
 
Naquela primeira vez em que estive na cidade, a pouco que vi do bairro foi quando fui até o porto para comprar minha passagem para o Buquebus, o ferry boat que faz a ligação com o Uruguai, por Colonia ou por Montevideo, diretamente. Noutra vez, quando fui a um show dos Rolling Stones na cidade, só dei uma circulada por lá de carro, no meio da madrugada, para matar tempo até um voo que sairia às 6h da manhã do Aeroparque. 

Só fui conhecê-lo melhor em 2008, com a Gisele, quando caminhamos pelo seu calçadão, atravessamos a ponte da Mulher (uma escultura em forma de ponte para pedestres que homenageia as mulheres) e escolhemos um dentre muitos restaurantes para um dos melhores almoços que já fizemos em todas as nossas viagens.

Uma curiosidade do lugar é que um cara meio rico e de esquerda comprou um espaço comercial e cedeu a uma organização sem fins lucrativos que serve refeições a custos populares para as camadas de baixa renda, bem num dos pontos mais movimentados daquela área. Desafiadoramente, ele dispunha um aviso que dizia algo como “esse restaurante popular só vai sair daqui o dia em que os argentinos pobres comerem melhor do que os cães dos argentinos ricos”. Forte!

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