01/09/2011

O efeito do corralito

Depois de fazer o reconhecimento da Plaza de Mayo, decidi seguir para os lados da Calle Florida, o calçadão central de Buenos Aires (que hoje em dia tem mais brasileiros e batedores de carteira do que argentinos).

Antes disso, parei num prédio que me chamou a atenção por ter fachada de templo grego e uma chama acesa na entrada. Só depois que percebi que se tratava da Catedral Metropolitana. Lá dentro, para minha surpresa (isso que eu chamo de falta de informação), estava o mausoléu do famoso General San Martín, o libertador de várias colônias espanholas na América do Sul.
Alguns minutos de silêncio depois, entrei no famoso calçadão e comecei a ver a muvuca daquele que é o coração do comércio popular de Buenos Aires.

Hoje em dia, quando se vai na Florida, a impressão mais marcante do lugar são os tocadores de algum instrumento musical ou dançarinos de tango pedindo dinheiro, os vendedores assediando os turistas, alguns camelôs, as bancas de jornal. Naquela época, porém, a mais chocante impressão do lugar eram os reforços de metal dos andares mais baixos dos bancos, todos pichados e amassados na crise de dezembro de 2001.

Logo que o governo determinou o congelamento dos depósitos acima de 200 pesos e a desvinculação do valor do peso e do dólar, a população seguiu revoltada até suas agências bancárias para exigir seu dinheiro de volta e lá ocorreram várias depredações e outros atos de vandalismo.

A situação de tensão permaneceu por vários meses e os bancos então se transformaram em verdadeiros bunkers. As fachadas externas, tanto paredes como janelas, foram todas revestidas por chapas de metal nas quais não se tinha como subir. As portas tinham um acesso todo cercado por grades e mecanismos de proteção, vigiadas por guardas fortemente armados.

A população não conseguia entrar, mas seguia batendo nas proteções de metal, com as mãos ou com as panelas usadas nos “panelaços” que a classe média promovia como protesto. Tudo também foi pichado com frases ofensivas aos donos dos bancos e ao governo e continuava ali, para ser visto por quem quisesse, mesmo passados cerca de 20 meses desde o estopim da crise.

Desviando dos vendedores, segui adiante. Entrei na livraria Ateneo, que tem uma loja na Florida, e fiquei decepcionado porque achava que era ali a grande loja que só depois soube que na verdade fica na Calle Corrientes.
Nas Galerias Pacífico, fiquei impressionado positivamente. O shopping do centro da cidade consegue preservar um ambiente bem sofisticado no meio daquela muvuca toda e foi por ali mesmo que tratei de achar alguma coisa para comer, antes de voltar ao albergue para fazer o meu check in.

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