03/06/2011

O pior voo transoceânico da minha vida

Como já tinha referido no post relativo ao planejamento da viagem que fiz com minha mulher à Grécia, depois de termos reduzido nossas opções de voo entre Brasil e Europa à TAP e à Air France, acabamos optando pela segunda em razão da possibilidade de fazer um bom stop over de três dias em Paris, lugar que ela não conhecia e que despertava mais o seu interesse.

Para tornar a viagem ainda mais cômoda, decidi emitir as passagens Porto Alegre - Atenas, na ida, pelo Rio de Janeiro, saindo do aeroporto do Galeão (muito menos muvucado do que o nervoso Guarulhos). Embora a lembrança da tragédia do voo AF447 fosse um pouco incômoda, a utilização do voo Rio-Paris parecia ser a melhor opção inclusive em relação aos horários de saída de Porto Alegre e dos tempos de conexão.

Jamais me preocupei em relação à qualidade da aeronave ou mesmo em relação aos serviços. Na única experiência anterior com a Air France, entre Paris e Estocolmo, três anos antes, tive um voo muito agradável, com queijos franceses, champagne e a visão de um amigo ganhando um upgrade para a executiva. Nos voos com a companhia gêmea da Air France, a KLM, também tive viagens muito agradáveis entre São Paulo e Amsterdam.

Com essa despreocupação toda, tive um choque quando embarcamos no Rio de Janeiro. O avião tinha cara de anos 80: poltronas azuis meio surradas, espaço reduzidíssimo entre uma e outra (incrivelmente era mais apertado que nossos voos domésticos da TAM ou da Gol) e, para o meu desespero NÃO TINHA TELAS INDIVIDUAIS DE ENTRETENIMENTO! Achava, na minha cabeça, que só a Iberia e a Lufthansa ainda tinham a falta de vergonha na cara de oferecer voos de mais de 10 horas sem entretenimento individual em plena década de 2010. Mas não, a Air France conseguiu me surpreender negativamente logo de saída.

Já tinha ouvido histórias, meses antes, de voo da companhia francesa que teve de ser cancelado porque não tinha banheiros suficientes. Deve ser a mesma aeronave que utilizamos. Tudo era muito decepcionante, um horror.

Tínhamos reservado poltronas de janela e meio, mas aquela sensação claustrofóbica nos fez pedir a um rapaz no corredor para ficar com a janela - assim pelo menos poderíamos levantar na hora em que desse na telha.

A comida servida no jantar foi bem meia boca e depois disso as comissárias, não muito bem humoradas, desapareceram. Muito aperto, um filme inaudível passando na telinha no meio do corredor (os fones de ouvido também não funcionavam), poucos banheiros funcionando e muito descontentamento dos demais passageiros era o que nos restava até a chegada na França. Tomei o que tinha de Dramin para dormir, mas quatro horas depois já estava acordado. A Gisele quase nem conseguiu pregar o olho.

O único alento que eu tinha era de que a volta seria via São Paulo, com um B777, ao invés do B747 em que estávamos.

Depois de uma noite terrível, nos aproximamos de uma Paris toda nublada, com temperatura de pouco mais de 8°C, que se mostrava bem tímida pela janela.

Na descida do avião, a polícia já estava fazendo triagem de turistas no finger do avião, como da outra vez em que voei à França. Deixaram-nos passar sem nem olhar direito os passaportes e em minutos estávamos na pequena fila da imigração. Perguntaram-nos para onde íamos e carimbaram os documentos.

No desembarque, demos de cara com uma cena um tanto inesperada: militares (com umas boinas gigantes meio ridículas) patrulhando o interior do aeroporto com fuzis. Só depois soubemos que havia alerta de segurança máximo em razão de risco de terrorismo naquela semana.

Naquele dia, aliás, o Charles de Gaulle perdeu um pouco de pontos comigo, em relação ao que tinha na memória, pela experiência anos atrás. Salas de embarque lotadas de gente, filas nas poucas e caras lanchonetes, máquinas automáticas de lanches e bebidas que não funcionavam e poucos lugares para sentar tornaram a uma hora e meia de espera até o voo para Atenas algo um tanto desgastante.

Ao menos, o voo saiu no horário e logo em seguida já estávamos novamente sobrevoando Paris. O dia nublado não deixava muita opção senão dormir, e entre uma cochilada e outra fomos acordados com uma refeição muito melhor que a servida no voo Rio-Paris.

Em aproximadamente três horas, pousávamos no Aeroporto Eleftherios Venizelos de Atenas.

Um comentário:

Rodrigo Lima disse...

Grande Andre,

Viajei pela Air France em maio/2011, fazendo esse voo Rio x Paris ( dpois valência). Nao sei se dei sorte , ou vc deu azar...rs . Mas meus voos ( tanto ida quanto volta)foram excelente. E durante a noite, as aeromoças realmente sumiram, ms antes, avisaram que havia lanches ( sanduiches, bolinho, bebidas e até sorvetes Häagen-Dazs disponíveis durante toda a noite)proximos aos banheiros! E haviam telas individuais, inclusive com filmes NOVOS e dublados em portugues. Só não foi o melhor, pq quando eu viajei pela Air China , o aviao estava vazio, vazio...) . E quanto ao CDG, realmente é mt grande, cheio, e meio desergonizado ( pior que ele so um Fiumicino).
Abçw