21/07/2012

O lado ocidental de Marrakech


Depois de uma manhã e uma tarde inteira de passeios por pontos turísticos locais e há mais de 24 horas sem sair da Medina, decidimos dar um tempo para a cabeça e encontrar um lugar para tomar uma cerveja no início da noite num shopping localizado na parte mais nova de Marrakesh. Com a nova chuva de fim de tarde que se abateu sobre a cidade, não havia coisa melhor a se fazer por ali.

O shopping, chamado Marrakesh Al Mazar, faz parte de um rede existente em outras grandes cidades do país e não é muito grande. Está mais para umas lojas agregadas a um hipermercado, como é comum aqui no Brasil. Ao seu lado, fica a filial local da boate espanhola Pacha e hotéis de redes internacionais abertos há menos de 10 anos.

Logo de cara encontramos uma Virgin Megastore, com um café no segundo andar do shopping, passando o jogo do Real Madrid contra o Barça pela Champions. Não tínhamos como não entrar. Pegamos uma mesinha ali mesmo e tratamos de fazer o programa mais ocidental possível naquele lugar: comer hamburger, tomando cerveja e olhando futebol, num ambiente em que até mesmo as mulheres (sempre acompanhadas por seus namorados) estavam com roupas “normais” (exceto pelo lenço no cabelo).


Depois do jogo, ainda demos umas voltas pelas lojas do local e até entramos para experimentar alguma coisa, mas tirando um cachecol, ninguém de nós comprou nada (os preços são muito mais altos do que na Espanha, até porque quase tudo é importado da própria Europa).

Já estava completamente escuro e o frio estava começando a pegar. Decidimos então ir jantar na Cité Nouvelle, o centro novo de Marrakesh, onde nossos guias impressos mostravam que havia inúmeros restaurantes e bares para que pudéssemos escolher um para jantar. 

A única opção de transporte disponível era uma vanzinha, daquele tipo que servia para entregar pão ou vender cachorro quente aqui no Brasil. “Fretamos” o táxi com um guri completamente sem noção na direção, que não entendia quase nada de francês e muito menos de qualquer outra língua que soubéssemos. Depois de muita dificuldade e de tentarmos mostrar para ele no mapa onde queríamos ir, chegamos bem na rótula central da Avenida Mohammed V. O cara ainda tentou cobrar mais do que o combinado (70 dirham), mas mandamos ele pastar.


Demos umas voltas tentando encontrar o tal do Yellow Submarine, mas soubemos por um garçom de um restaurante próximo que o local havia (ou estava) fechado. Cruzamos de volta para o outro lado da avenida e passamos pela frente de uns 4 locais indicados nos guias, até nos decidirmos por uma pizzaria chamada Catanzaro, que acabou sendo uma ótima escolha.

Comemos pizzas em estilo italiano bem tradicional (os donos era da Calabria mesmo), regadas com vinho tinto marroquino. Ali, vimos como é a classe média e alta da cidade: pessoas que falam francês, etnicamente mais brancas do que a média da população (provavelmente muitos tenham ascendência francesa, da época da colônia), mescladas com muitos expatriados europeus vivendo no país. Outra curiosidade é que, como no resto desta parte da cidade, quase nada está escrito em caracteres árabes.

Na saída, perto da meia-noite, a cidade já parecia bem vazia e decidimos voltar para o hotel e descansar para o dia seguinte, quando iríamos a Essaouira. Nesse trajeto, o táxi entendeu direitinho onde queríamos chegar (Riad Larousse) e pela primeira vez e nossa viagem vimos um taxímetro funcionando – o resultado, pagamos menos da metade que nas outras corridas, combinadas de boca com o motorista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu Deus, incrível! Como eu queria apenas viajar o mundo... Como você consegue viajar tanto durante "pouco" tempo? O dinheiro para mim não está muito fácil hahaha
Obrigada mesmo por compartilhar essas experiências incríveis! Com as descrições a vontade só aumenta...
Beijos e Parabéns.