31/07/2012

Neve na África


Assim que chegamos da daytrip a Essaouira, paramos numa agência de turismo no caminho de volta para o hotel e perguntamos por passeios às montanhas e ao deserto. Demos muita sorte em encontrar um guia chamado Abdelhouahed, que além de árabe e francês, também falava espanhol e inglês muito bem.

Abdelhouahed nos explicou (em espanhol) que é possível fazer daytrips de Marrakech até o início do deserto do Saara, mas que esse tipo de viagem é muito longa e cansativa. O normal é ir até uma cidade a 300km dali, dormir uma noite e fazer o passeio de camelo no dia seguinte, ou mesmo tirar mais dias e dormir em barracas em oásis no meio das dunas. Como tínhamos apenas mais um dia na cidade, entretanto, nos ativemos às nossas possibilidades: passeios pelas montanhas da Cordilheira do Atlas, com algumas vilas típicas interessantes no caminho.


Depois de nos explicar as possibilidades num grande mapa na parede da agência, acabamos fechando com ele um passeio de dia inteiro que seria fechado só para nós, numa caminhonete com tração 4x4, na qual cruzaríamos os Atlas, passaríamos na ida por Telouet e Aït Benhaddou e chegaríamos a Ouarzazate, voltando por um caminho mais curto, sem paradas. Deixamos um sinal de 20% e ficamos combinados de sair às 8h30 do dia seguinte, dali da agência mesmo. Como passaríamos pelas montanhas, fomos instruídos a levar casacos e cachecóis, além de óculos de sol e lanches.

Jantamos tranquilos num restaurante chamado Villa Flores, em um hotel ali perto, e na manhã seguinte estávamos pontualmente na frente da agência, ainda fechada. Não deu mais de 2 minutos até o Abdelhouahed aparecer e nos explicar que estavam abastecendo a caminhonete e que sairíamos dali uns 20 minutos.

A caminhonete, assim como no dia anterior, surpreendeu-nos positivamente. Bem cuidada e relativamente nova, era dirigida por um cara mais velho, que só falava um pouco de francês e inglês, sendo que o Abdelhouahed ia na vaga do passageiro e nos três no banco de trás, com espaço.

Dessa vez, saímos em direção ao oeste, pela estrada para Ouarzazate. Depois de uns 30 minutos de paisagem suburbana e plana, começamos a subir e andar em curvas cada vez mais acentuadas.

Aos poucos, a paisagem foi ficando cada vez mais verde e começaram a aparecer, ao longe e no meio dos vales, pequenas vilas rurais, sempre com uma mesquita no meio e casas todas pintadas com a cor do solo local – exigência do governo, segundo nosso guia.



O início de nossa viagem me fez lembrar bastante o tour que fiz entre Salta e Cafayate, na Argentina, em 2009. Rios de montanha correndo ao lado da estrada, paisagem que era árida, fica verde e depois vai se tornando apenas montanha, sem nada de vegetação.

Não demorou muito para que avistássemos algo que poucos imaginam que verão quando visitam o continente africano: neve. No alto das montanhas, ela era visível em grande quantidade, sendo que dali a uma hora já estaríamos passando no meio dela.

As curvas foram aumentando em intensidade e a velocidade do nosso motora não diminuía, a não ser quando pedíamos para parar para tirar algumas fotos. Numa das paradas, entretanto, não aguentei e botei parte do café da manhã para fora, porque já estava sentindo que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Para respirar melhor, assumi o lugar do guia, no bando do passageiro ao lado do motorista, e deixei a janela aberta, com o vento frio no rosto.

À medida que fomos chegando nos pontos mais altos, onde há um passo de montanha que fecha no inverno, por causa da neve, começamos a ver mais e mais turistas, principalmente idosos em ônibus europeus de excursão e trailers de europeus viajando em família.





Fiquei impressionado em ver que, mesmo com tudo que se fala do mundo árabe e com o que se tem no imaginário ocidental a respeito daquela região, europeus ainda continuem viajando em suas férias com os próprios carros ou em veículos fretados a turismo no país, que realmente se preocupa com a segurança do pessoal que o visita.

A Cordilheira do Atlas é a maior da África e corta o Marrocos em quase toda sua extensão, na parte central e oeste do país, dividindo as planícies litorâneas, parecidas com o Mediterrâneo, do interior desértico do continente. Na estrada entre Marrakech e Ouarzazate, o ponto mais alto cruzado é o Col Du Tichka, com pouco mais de 2200m sobre o nível do mar.



A partir dali, a paisagem mudaria e começaríamos a conhecer melhor as principais atrações do nosso passeio.

4 comentários:

Carolina disse...

André,
seu blog é ótimo! Já li relatos de vários lugares. Me passa o seu e-mail, por favor. Preciso mt tirar algumas dúvidas. Obrigada, Carolina

André Augusto Cella disse...

Andrecella@yahoo.com

Letícia disse...

Incrivel! Você conseguiu uma paisagem e tanto...

GRILO disse...

Andre
Descobri seu "blog" agora. E antes de explora-lo ja vou elogiando, mesmo sem conhecer, pois seria impossível não gostar de uma iniciativa como essa;só mmesmo que não gosta de viajar!
Assim que conhecer mais volto a me manifestar mais pontualmente
Moro em Caxambu, no sul de MG. Passando por aqui, é só chegar para um dedo de prosa, cafezinho e quitandas.
Grande abraço.