20/08/2008

Paris - o albergue

Ao chegarmos na Gare de Lyon, demoramos um pouco até conseguir achar a saída indicada como a mais próxima do albergue que tínhamos reservado, o Blue Planet Hostel. A estação é muito grande e tem um verdadeiro labirinto de mais de 20 saídas diferentes.

Tentamos obter informação, mas não conseguimos achar a tal saída 14. Escolhemos qualquer uma e pusemos os pés para fora da estação, e para dentro de Paris, pela primeira vez.

Tive que admitir, de cara, que a cidade é muito bonita. A estação estava toda enfeitada com bandeirinhas da França e os prédios ao redor eram todos muito bonitos. As avenidas, muito bem cuidadas, cheias de árvores, bem naquele estilo que se espera de Paris.

Emoções à parte, tínhamos que encontrar nosso albergue e, como era hora do rush, cada travessia de rua demorava ainda mais. Quando achamos a rua, numa esquina com o Blvd Diderot, acabamos seguindo na direção errada e andamos mais uma ou duas quadras à toa.

Depois de perceber o erro, voltamos e finalmente chegamos no nosso destino.

O tal Blue Planet parecia bem ajeitado, numa localização muito boa, com uma fachada interessante. A boa impressão, no entanto, parou por aí.
O sujeito que atendia na recepção era um imigrante de algum país árabe, provavelmente Argélia ou Tunísia, com um inglês sofrível. Mesmo sendo ainda mais sofrível o meu francês, foi nessa língua que se deu a maior parte da nossa comunicação.

Quando nos apresentei, num primeiro momento ele disse que não havia nenhuma reserva paga em nosso nome. Mostrei o papel do comprovante do pagamento para ele, e ele admitiu que havia. Em seguida, porém, disse que só tinha 4 camas disponíveis para nós. Insisti e disse que não, eram 5 as camas pelas quais tínhamos pago, por 5 dias. Ele, entretanto, alegou que nossas reservas indicavam que chegaríamos até as 17hs e que, por isso, foram liberadas a partir daquele momento (efetivamente já eram 18hs). Disse, ainda, que nas regras da reserva estava escrito que tínhamos que ligar em no máximo meia hora em caso de atraso.

Traduzi a situação para o pessoal e todo mundo ficou meio de cara. O Rafael logo se prontificou a passar a primeira noite com o irmão num Ibis que havia na frente. Saíram até lá e até chegaram a pegar o preço (70 euros num quarto duplo), mas nesse meio tempo negociei com o cara a colocação de um colchão extra num quarto de 3 pessoas, sendo que outro teria que dormir num quarto sozinho.

A partir do dia seguinte, a combinação era a de que 3 ficariam nesse quarto do primeiro dia e que outros 2 seriam alojados num quarto de 4 pessoas - e assim se cumpriu.

Deixamos um depósito de 20 euros cada em troca de uma chave para cada um e pegamos nossas coisas para subir em direção aos quartos. Aí é que vimos que seriam 5 andares de escada, com degraus bem íngremes, para subir e descer todo dia.

Os quartos eram bem apertados. No nosso (fiquei no de 3 pessoas), havia um beliche e uma cama separada. O pouco espaço que sobrava ainda foi ocupado pelo colchão extra da primeira noite. Os lockers ficavam num canto perto da janela, e até que tinham um tamanho satisfatório. Logo descobrimos, também, que a única tomada do quarto não funcionava (mais tarde descobriríamos que nos outros quartos também era assim, talvez para "poupar" energia, hehehe).
Só havia um banheiro com ducha e um com vaso sanitário e pia por andar; e a limpeza, a ventilação e o espaço não eram o forte deles.

Eu achava muito engraçado ver o Bagé (apelido do Rodrigo) falando que não tinha achado tão ruim assim. Era o primeiro albergue da vida dele e ele imaginava horrores ainda piores.

Eu peguei a cama de cima do beliche e tratei de tentar me organizar. Cada espacinho precisava ser muito bem dividido, por isso acabou sendo o lugar mais desconfortável de toda a nossa viagem.

A vista do quarto dava para a rua da frente e, no cantinho, dava para ver a própria estação da Gare de Lyon:

Nos dias seguintes, ainda descobriríamos outros probleminhas do albergue, como um café da manhã incluído no preço que se resumia a 2 fichas para máquinas que ficavam no salão de uso comum: uma para algo para beber (café ou chocolate quente de máquina) e outra para alguma coisa para comer (as "opções" se resumiam a um tipo de croissant com gotinhas de chocolate meio dormido)
Outro probleminha é que, como não havia tomadas nos quartos, o pessoal deixava baterias e celulares carregando nas tomadas do corredor, mas tinha que ficar de olho, senão alguém levava. Enquanto estivemos lá, vimos duas pessoas dizendo que tiveram coisas roubadas assim. Como tínhamos uma tomada perto da porta, deixávamos só o plugue do lado de fora e, passando o fio por debaixo da porta, conseguíamos manter o equipamento eletrônico do lado de dentro.

2 comentários:

Ricardo Pacheco disse...

André, já falei sobre isso em outro comentário, mas repito. O albergue que fiquei chama-se "Perfect Hostel" e fica perto da Sacre-cour e do Moulin Rouge. Recomendo muito: é simples, num prédio antigo na Rue Rodier, mas com um café da manhã legal, quarto confortável (no nosso tínhamos banheiro privativo para nós 3) e uns atendentes bem simpáticos.

Ludmila disse...

Estou indo pra Paris em Fevereiro de 2013 e ficou decidido que vamos ficar no Hostel Oops! perto da Estação de Goblins, ou algo do tipo. Minha amiga já ficou hospedada lá e me indicou.
Parece ser bem seguro e limpo, cada quarto tem um banheiro e o máximo de 6 camas. Nós vamos ficar em um quarto de 4 camas (o preço não é diferente.) As vezes vale a pena pagar uns poucos Euros a mais pela diária qdo se trata de um Albergue bem falado. Tenho pesquisado bastante o que as pessoas falam dos lugares que vamos nos hospedar.