17/08/2008

Paris - suspense na imigração

Quando saímos do avião, ainda tivemos tempo de tirar a filmadora da mochila e registrar os primeiros momentos do pessoal em solo europeu, por alguns minutinhos. Logo em seguida, porém, tivemos que seguir caminho, porque praticamente todo o pessoal do avião já havia desembarcado.

Diferentemente do que eu tinha visto na Itália, no ano anterior, havia policiais já no túnel de saída do avião, antes da área de desembarque. Eram 4 ou 5 policiais, que formaram uma "barreira" e, desde que as pessoas vinham de longe, iam avisando para ficarem com seus passaportes na mão. Para passar por eles, tinha-se que mostrar o passaporte.

Alguns eram verificados com um pouco mais de atenção, outros mal eram olhados. No meu caso, cheguei com o passaporte já aberto, na página onde haviam carimbos da outra viagem à Europa, e com o outro dedo marcando a página onde está minha foto. O cara só viu os carimbos e me mandou passar.

Com outros três do grupo, a coisa foi semelhante. Alguns só tiveram a foto verificada, outros nem isso. Apenas um do nosso grupo, que ficou mais para trás, acabou ficando na "peneira".

O policial olhou o passaporte dele e segurou na outra mão, dizendo para esperar ao lado, onde já havia mais de 10 pessoas na mesma situação. Continuou verificando os passaportes das pessoas que passavam e, quando todos os passageiros do nosso vôo e de outro que havia chegado de algum lugar da Ásia já haviam passado, restaram umas 20 pessoas com os passaportes segurados pelos policiais.

Todo o grupo foi então encaminhado para uma sala toda de vidro, que podíamos ver já estando do outro lado, perto dos guichês onde carimbaríamos a nossa entrada.

Aguardamos alguns minutos e, como a coisa parecia que demoraria, decidimos que 2 iriam passar para pegar as bagagens do grupo e que eu e outro ficaríamos para ver no que daria a situação.

Alguns minutinhos depois, vimos que a coisa seria lenta mesmo. Chamavam de um a um as pessoas retidas para maiores verificações e as faziam mostrar documentos. Todos iam sendo liberados depois de algumas perguntas, com exceção de uma mãe com uma criança, que foi levada para outro lugar.

O nosso amigo continuava lá, esperando a vez dele, até que um funcionário português da TAM nos perguntou o que ainda fazíamos ali. Dissemos que estávamos esperando um amigo que havia sido retido pelos policiais. O funcionário, então, muito simpático, ofereceu-se para resolver o problema. Foi até a sala de vidro, conversou com um policial e mostrou a ele que, do lado de fora, havia duas pessoas esperando por um dos retidos.

O policial chamou nosso amigo, só deu uma olhada no passaporte e o devolveu, liberando-o em seguida para que ele, junto conosco, passasse pelos guichês onde os passaporte foram carimbados com a entrada na Europa e a fichinha de imigração entregue.

O que percebemos por aquela experiência?

1 - a maioria do pessoal que ficou "retido para verificações" consistia de pessoas que estavam viajando sozinhas, algumas com crianças pequenas;

2 - grande parte do pessoal retido era moreno ou com algum traço indígena;

3 - quem tinha passaporte carimbado com outras viagens passou quase direto;

4 - quem estava com toda a papelada em ordem, embora tenha tido uma demora adicional nessa verificação, foi logo liberado;

5 - os policiais foram muito educados e até bem-humorados, trabalhando literalmente com transparência, ao deixarem as pessoas numa sala visível a todos.

2 comentários:

Jairo Palhano disse...

Oi editor do De mochilão, a primeira vez q fui para Europa entrei por Amsterdam. Lá percebi um preconceito exacerbado pois era integrante de um voo oriundo da Africa (Sai de Fortaleza, passei uns dias em Cabo Verde e depois fui rumo a Holanda). Sou negro e por incrivel q pareça todos os negros vindos do voo foram parados. Na épocca o meu inglês era péssimo, e mal conseguia entender as perguntas do policial da imigração. Contudo, apesar do desconforto, fui liberado e pude seguir minha viagem.
Já perambulando por outros países, mais específicamente pela França, fui importunado outra vez na Gare du Nord (Paris), na minha volta pra pegar o voo em Amsterdam pra voltar pro Brasil. Um policial da imigração francesa me parou, pediu meu passaporte e revistou minhas bolsas. No entanto, embora o constrangimento e mesmo sabendo que era vítima do preconceito de um policial imigrante estúpido, fui liberado por estar com toda documentação em ordem e fiquei mais 5 dias em Amsterdam. Foi maravilhoso!
Diante do exposto e sem fazer discurso demagogo sobre a questão racial, na Europa existe o preconceito enorme nas policias de imigração, sobretudo sobre classes étnicas e mulheres desacompanhadas.
Adorei o blog, estou de volta a Europa agora em maio e foi salutar ler algumas dicas aqui.

André Augusto Cella disse...

Obrigado pelo depoimento e pelo elogio!