26/05/2010

Despedida de San Pedro

Na tarde após o retorno dos gêiseres, não fizemos nada de significativo. Depois do almoço, voltamos ao albergue, onde combinamos com os brasileiros que haviam chegado para ficar em nosso quarto que deixaríamos nossas bagagens no mesmo lugar até o final da tarde, quando viajaríamos a Calama e de lá para Iquique. Assim, não precisaríamos ficar com as mochilas a tarde inteira e poderíamos tomar um banho antes da viagem de ônibus.

Depois de trocarmos de roupa para suportar o calor da tarde, demos mais umas voltas pelo centro, principalmente para comprar algum presente que ainda faltava para amigos e familiares. Não demorou muito e já estávamos num barzinho novamente – vazio àquela hora da tarde, se não fosse por nós.
As passagens de ônibus já estavam compradas desde o dia anterior. Vira e mexe, no Chile se acaba comprando passagens da TurBus, que é companhia com maior número de ônibus e linhas, com mais opções de horários – embora com preços mais altos. A nossa estava marcada para umas sete da tarde, com conexão de umas duas horas em Calama e, depois, outro ônibus para Iquique, onde chegaríamos só no início da manhã seguinte.

Nas cidades chilenas normalmente não há estações rodoviárias públicas. Cada companhia de ônibus tem os seus próprios terminais. Em San Pedro, o terminal da TurBus fica quase na saída da cidade, perto do trevo para Calama, por onde já tínhamos passado no passeio de bike pelo Vale da Morte. Foi para lá que fomos depois de um banho no albergue e de recolher nossas coisas. À espera do ônibus, havia dezenas de pessoas, a maioria mochileiros – muitos europeus. Em San Pedro de Atacama, só dá gringo mesmo, quase mais do que a população chilena local.

O ônibus saiu na hora marcada e, surpreendentemente, não estava passando nenhum filme. As luzes foram apagadas logo em seguida para permitir um breve mas bom sono até Calama, que fica a uns 150km dali.

Ainda não sabíamos o que fazer para passar as quase três horas que tínhamos em Calama e, especialmente, como iríamos jantar. Num primeiro momento, pensávamos em pegar um táxi até algum shopping local e depois fazer o mesmo de volta à estação. Chegando lá, porém, logo desistimos. A cidade não parecia ter muita coisa aberta àquela hora, estava frio e escuro já, e a estação de ônibus parecia ser bem distante do centro da cidade. Decidimos, por isso, comer e esperar ali mesmo.

A decisão se tornou certa ao percebermos que o único guarda-volumes da rodoviária de Calama já estava fechando e que, por isso, não poderia ser usado.

A rodoviária estava bem muvucada àquela hora. Dizem que Calama sempre tem movimento porque é uma das cidades que mais cresce no país, especialmente por causa da indústria da mineração e energia geotérmica. Foi quase impossível conseguir algo para comer naquele lugar. Acho que fomos os últimos a conseguir os últimos cachorros-quentes que havia para vender no único bar aberto da estação – e isso que não passava das 21h...

Depois de comermos, o jeito foi esperar. Compramos alguma coisa para ler numa banca de revistas e ficamos sentados no chão mesmo, terminando o lanche que serviu de janta. A única distração era ficar olhando os cachorros sem dono que ficavam para lá e para cá tentando conseguir alguma comida em meio aos mochileiros e viajantes sentados no chão da estação, esperando ônibus.
Lá pelas 23hs, finalmente chegou nosso ônibus. Foi deitar e dormir. Não vi absolutamente nada da viagem – e nem poderia ter visto, já que é tudo um deserto entre Calama e Iquique e tudo estava no mais absoluto breu. Só que, ao acordar, tivemos uma surpresa...

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