24/05/2010

Gêiseres de El Tatio

Depois do Valle de La Luna, chegamos na cidade e já planejamos uma saída noturna. Fomos a um Café, bem na esquina da rua ao lado da praça central. Não consigo lembrar o nome, mas, olhando o guia de viagem, acho que era o Café Export.

Ali jantamos, acabamos com a cerveja do lugar (literalmente, porque ao final o garçom ia comprar cerveja em outro boteco para continuar nos servindo) e ficamos até altas horas.

Apesar da noite anterior, o dia seguinte era daqueles em que se tinha de levantar às 4h da manhã para fazer passeio. O objetivo era a visita aos gêiseres de El Tatio.

Acordar foi difícil, mas ficar na rua, no meio da madrugada, com temperaturas negativas, esperando o tour nos pegar também foi tão ou mais difícil.

Logo na saída, o guia explicou que o ônibus passaria por estradas de terra e pedra a maior parte do tempo e que sentiríamos a altitude pegando na medida em que subíssemos. Não dava para ver muita coisa naquela escuridão da madrugada, mas o guia não estava mentindo. Andamos por estradinhas bem mal conservadas.

No meio da viagem, acabamos pegando no sono e só fomos acordar com um certo “comício” em torno de uma janela que não fechava direito e que ficava esfriando o ônibus inteiro por conta disso. Paramos algumas vezes para fechá-la, mas nas últimas vezes a tarefa foi se tornando cada vez mais difícil, porque os vidros foram congelando pelo lado de fora.

Já estava clareando no horizonte quando chegamos ao campo de El Tatio.

Esse lugar é considerado como um dos maiores e mais ativos campos geotérmicos do mundo, o maior do hemisfério sul e o terceiro em nível mundial. Há inúmeros gêiseres em constante ebulição por todos os lados, com algumas piscinas naturais de águas termais aqui e ali. Fala-se inclusive no aproveitamento desse potencial energético através de uma concessão a uma empresa privada, chamada Geotermica Del Norte, o que afetaria muito o turismo no local, já que os gêiseres não entrariam mais em ebulição caso uma usina fosse implantada.
Como os próprios guias fazem questão de informar, em qualquer lugar sério do mundo seria proibida a circulação de pessoas por entre os gêiseres, já que uma explosão de água quente em cima de uma pessoa poderia ser fatal. Ali, no entanto, se ganha dinheiro com a visitação e que cada um cuide de si.

Logo no início do passeio, depois de algumas explicações acerca do lugar, é servido café da manhã, que é requentado nas águas quentes dos gêiseres e que está incluído no preço do tour.
Depois do café, o pessoal fica liberado para tomar banhos nas piscinas térmicas e para andar para lá e para cá no campo. Dessa vez, não tive coragem de entrar na água, porque alguns diziam que partes da piscina estavam frias.

Depois que o sol vai saindo, vai ficando mais bonito ver os jatos de água e vapor, mas a intensidade das erupções vai diminuindo. Exatamente por isso é que os passeios são feitos tão cedo da manhã.

O retorno de El Tatio é feito por estrada que passam por paisagens andinas muito bonitas. Assim que algum animal é visto, seja uma lhama, alpacas, vicunhas, lebres ou aves, o ônibus para e o pessoal desce para tirar fotos. No início até é legal, mas com o tempo vai cansando um pouco.

No meio da estrada entre El Tatio e San Pedro, o ônibus faz uma parada em Machuca, um povoado típico do lugar, com menos de 100 habitantes, que vive basicamente do pastoreio e de alguma produção agrícola. A renda dos produtos vendidos a turistas, basicamente comidas típicas e chás, reverte em favor da comunidade.

O lugar é realmente atípico: um povoado no meio das montanhas, todas cobertas por uma vegetação rala e amarelada, com rio de água congelada no fundo do vale, numa altitude aproximada de 3.000m. Não se espera que tenha muito que fazer por lá...
O caminho de volta a San Pedro foi bem sofrido. O ônibus já vinha atrasado em relação ao horário de chegada previsto, a fome começava a bater porque passava do meio-dia e várias interrupções da estrada por conta de obras atrasavam tudo ainda mais. O guia também não ajudava muito – acho que foi o mais chato de todos os passeios daquela viagem.

Mas, finalmente, lá pelas 13h30, chegamos e pudemos sair para comer alguma coisa.

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