14/05/2010

San Pedro de Atacama

San Pedro de Atacama é uma cidade com menos de 5 mil habitantes, que não tem aeroporto, não tem praia, não tem montanha, sem bons restaurantes e com hotéis no máximo razoavelmente confortáveis. Fica a pelo menos 150km de qualquer cidade com infraestrutura razoável e não tem nada que possa ser qualificado como uma história com interesse especial. Nenhum filme de renome foi filmado aqui, não é terra para prática de esportes radicais, fica num dos lugares mais secos do mundo e tem temperaturas que conseguem variar, num só dia, de -10°C na madrugada a uns 30°C no meio da tarde. Além do mais, tornou-se um dos lugares mais caros da América do Sul.

Apesar de tudo isso, é um dos maiores pontos turísticos do Chile e qualquer gringo metido a mochileiro que se preze e que tenha planos de vir à América Latina sabe o seu nome e conhece onde fica.

A cidade é realmente peculiar e soube muito bem vender o seu peixe. Por ser quase um oásis no meio do deserto do Atacama, tornou-se uma base para passeios por toda a região, num raio de mais de 100km, a maioria deles do estilo bate-e-volta. Basta entrar na cidade e você já será assolado por ofertas de passeios para que você saia dela, ou seja, para que vá conhecer lugares ao redor do lugarejo.
O centrinho de San Pedro do Atacama não é formado por mais do que umas 10 quadras, com umas 4 ruas no sentido norte-sul e umas 4 ruas no sentido leste-oeste. De qualquer ponto da cidade se pode ver o vulcão Llicancáhur, embora ele esteja a quase 80km dali. Não há nenhum prédio com mais de dois andares à vista e o que se vê mesmo são ruas empoeiradas com casinhas de adobe, material típico das construções atacamenhas. Algumas até são modernas e confortáveis por dentro, mas a maioria não.

Mesmo sabendo de tudo isso, queríamos conhecer a cidade desde que passamos rapidinho por lá em 2003, numa volta apressada para casa, depois de ter atingido o objetivo Machu Picchu. O retorno ao Atacama, como contei nos posts dos preparativos, foi adiado mais de uma vez e quase não saiu por conta do surto de gripe.
O simples fato de estar num lugar tão isolado e diferente, com tantas atrações estranhas ao redor, para serem visitadas a cada dia, era o nosso motivador. Como não tem muito o que fazer à noite, o lugar acaba sendo um daqueles bons para fazer as coisas com calma, conseguindo-se descansar bem entre um passeio e outro.

Em San Pedro, o negócio é se dispor a fazer de tudo: andar de mountain bike, encarar águas termais no meio do clima gelado, acordar às 4h da manhã só para ver campos de gêiseres, ficar no frio da noite em cima de uma duna no meio do deserto para ver o efeito do pôr do sol nas montanhas, e por aí vai. Se não valesse a pena, não tinha tanta gente sempre indo e voltando para lá.

Um comentário:

Anônimo disse...

estive no atacama em outubro de 2011, inesquecível, atípico, rs, com gosto de quero mais.