29/03/2008

Madrid: o Prado, o Retiro e o Real

Nosso segundo dia em Madrid, após a primeira noite no albergue, foi intenso. Acordamos cedo, por volta das 7hs, para tomar café da manhã e em seguida já estávamos na rua. O sábado amanheceu bonito e não tão quente quanto o dia anterior.

O objetivo era iniciar o dia conhecendo pelo menos museus mais famosos da cidade - o Prado ou o Reina Sofía. Antes, porém, aproveitamos para ir direto até a estação de Atocha descobrir como funcionava o esquema dos trens para ir até Toledo, dois dias depois. Tranqüilizados em saber que não era muito difícil e que havia trens partindo quase de hora em hora, deixamos para comprar as passagens no dia em que decidíssemos fazer aquele passeio.

Os muses do Prado e Reina Sofía ficam a poucos metros de Atocha. Preferimos ir visitar o Museo del Prado, mais tradicional e famoso do que o outro. Passamos pelo Jardim Botânico que há ao lado e chegamos minutos antes de serem abertas as portas.

Há duas entradas para o museu: uma para o acervo permanente e outra para as exposições temporárias. Naquele dia, havia uma grande exposição de Picasso, que, pela novidade, gerou uma gigantesca fila para a entrada. Como o nosso interesse era ver as obras mais antigas mesmo, compramos um ticket para o acervo permanente e, em alguns minutinhos, já estávamos lá dentro.

No Prado, é muito bom olhar as obras. Pouquíssimas têm proteção especial; pode-se quase tocar nelas, olhar bem de pertinho. Como não havia tanto movimento (o pessoal se concentrou mais na exposição temporária), pudemos olhar com calma o que nos interessava. É permitido tirar fotos dos quadros (coisa que o Louvre não deixa), desde que não se use flash.

À medida que eu passava e olhava, vinha à minha cabeça a lembrança de ilustrações que já tinha visto numa Bíblia que minha mãe sempre teve no quarto, de enciclopédias e outros livros. Os quadros de arte sagrada são os mais conhecidos do acervo. Há ainda outros, como o "Las Meninas", de Velásquez, "O cambista e sua esposa", de Van Reymerswaele, e o auto-retrato de Durero.

Ficamos umas 3 horas andando lá por dentro. Depois, saímos para fora e nos sentamos nos jardins ao redor do prédio para descansar um pouco e tomar água.

Já era perto do meio-dia e decidimos ir para o Parque do Retiro, ou Jardines del Buen Retiro, a apenas algumas quadras do museu.

O parque é muito grande. Quando se vê um mapa de Madrid, se percebe isso. Guardadas as devidas proporções, é o Central Park da cidade. Entramos pela parte que aparece na foto acima e logo nos demos de cara com o Palacio de Cristal, tipo uma estufa (parecida com a de Curitiba) que fica ao lado de um lago com um chafariz no meio. Um belo lugar para uma foto. Há outros palacetes escondidos ao longo do parque. À medida que caminhávamos, íamos encontrando um ou outro.

Como era sábado, estava cheio de gente patinando, pais levando os filhos para passear, babás conduzindo carrinhos de bebê - uma sensação muito boa ver esse clima de calmaria numa cidade grande.

Em frente ao maior lago do parque, onde fica o Monumento a Afonso XII, paramos um pouco para um lanchinho.

Depois de aproveitar mais um pouco aquele lugar, saímos pela parte mais ao norte, em frente à Puerta de Alcalá, um dos cartões postais mais conhecidos da cidade. Como muitas cidades européias, Madrid era toda cercada por muralhas na Idade Média. As portas era justamente os pontos de passagem pelas muralhas. Depois que as cidades cresceram a ponto de ultrapassar as muralhas, foram matidos os portões em praças ou rótulas, como é o caso da de Alcalá.

É um pouco difícil chegar num ponto bom para tirar fotos dessa Puerta, porque as avenidas que a circundam são bem movimentadas e não há faixas de segurança para chegar lá no meio (talvez seja justamente para NÃO chegar lá!), mas isso não nos impediu de chegar bem pertinho. A foto abaixo mostra o Edifício Metropolis, outro cartão-postal, visto pelo arco central da Puerta de Alcalá.

Depois da Puerta, descemos pela Calle de Alcalá até a Plaza de las Cibeles, onde fica o Palacio de las Comunicaciones, uma bela construção também.

Com a fome apertando, já por volta das 14hs, decidimos encontrar algum lugar para almoçar. Na Europa em geral, é muito fácil escolher restaurantes, porque todos deixam uma placa do lado de fora com o cardápio principal e, o mais importante, os preços. Assim, não se cria aquele constrangimento de entrar e ter que sair porque não tinha nada de que se gosta ou porque era caro demais. Escolhemos um restaurante que tinha um "menu completo", tipo um buffet livre, mas de uma servida só. Incluía sopa, pão, dezenas de pratos quentes e sobremesa. A bebida era por fora. Foi uma ótima escolha, tudo por cerca de 10 euros.

De barriga cheia, continuamos caminhando por aquela mesma avenida, até a estação Sevilla, passando por prédios conhecidos da cidade, como o Metropolis.

Tomamos um metrô até a Plaza Colón, onde fica o monumento que aparece na foto abaixo, em homenagem ao maior navegador espanhol de todos os tempos.

A algumas quadras dali, fica também a mais importante Corte de Justiça do país e a sede do Congresso Nacional deles. Fomos até lá e voltamos para a estação para pegar o metrô com destino ao Estádio do Real Madrid.


O Santiago Bernabéu, sede do Real, como a maioria dos grandes estádios, tem horários de visitação definidos, com acompanhamento obrigatório de guias e entrada incluída para o museu de troféus e fotos - sempre com uma lojinha de produtos oficiais ao final do passeio.

O passeio começa justamente pelo campo. O estádio é muito impressionante. Mais bonito do que vários outros que conheci em outras cidades européias. Ele começou com o anel de arquibancadas mais baixo por volta da década de 1920, e a cada 20 anos, mais ou menos, foram construindo mais um anel. Hoje, é um dos que tem arquibancadas mais altas. O campo, além disso, foi rebaixado para um nível mais baixo do que o solo ao redor do estádio.

As casamatas são muito confortáveis, com bancos de couro azul. Todas as arquibancadas também têm banquinhos.

Passa-se pelos vestiários e pelos corredores internos do estádio - e tudo é de cair o queixo. Quem está acostumado com estádios no Brasil, geralmente meio detonados, sujos e em parte depredados, fica com inveja. Tudo limpinho, sem aquelas grades horrendas, com rampas de fácil acesso, muito legal mesmo.

O time, conhecido pelos espanhóis simplesmente como "Madrid", e não como "Real" como nós costumamos dizer, é admirado até por torcedores de outros times nacionais. No passio, vimos gente com camiseta do Valencia, do Mallorca e outros times tirando fotos bem felizes lá dentro do estádio.

Na parte do museu, o guia faz questão de destacar que o time é considerado o mais vitorioso de toda a história, segundo a própria FIFA. O número de troféus impressiona. Havia grandes painéis de fotos dedicadas ao Ronaldo, em vários pontos (ele ainda jogva lá quando fomos).

O destaque principal é dado para as copas da UEFA e da Champions. Os mundiais vencidos ficam num segundo plano de importância.

A lojinha é bem completa e os preços são um pouquinho menores do que em outros lugares que também vendem produtos oficiais. Para colocar nome de jogador nas costas da camiseta comprada, leva uns 40 minutos, em média.

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