18/07/2008

Venezia - 2ª parte

Logo depois que atravessamos a Ponte di Rialto, decidimos encontrar algum lugar para almoçar. Contando com a presença de uma criança e com a pouca vontade dos meus familiares de gastar um pouquinho mais em alguma coisa melhor, acabamos escolhendo uma lanchonete de fast food (tudo a ver com Veneza, hehehe...), perto do Campo di San Lucca.

Na Itália, os Burger King geralmente têm ao lado uma outra cadeia local de fast food, a Spizzico, que lida com pizzas por preços e pacotes semelhantes aos de hamburger. Na minha opinião, uma opção bem melhor...

Almoçados, chegamos finalmente na Piazza San Marco.
A visão da praça é realmente impressionante. Quase toda cercada por prédios que parecem um filme em preto-e-branco (as Procuratie Vecchie), a praça se destaca pelo campanário alaranjado e pela Basílica de San Marco ao fundo. Outra coisa inconfundível é a maior concentração de pombas por metro quadrado que se vê por aí.

Justamente na hora em que chegamos lá, começou uma chuva bem fininha que, embora não chegasse a molhar, ajudou a reduzir o número de pessoas na praça, permitindo uma visão mais "limpa" do lugar.

As pombas da praça são um capítulo à parte. Embora vários turistas gostem da idéia de tirar fotos rodeados por elas, inclusive comprando milho para chamar a atenção, a impressão que se tem delas é bem repugnante. Parece mais coisa do filme "Os Pássaros" de Hitchcock do que algo romântico. Elas aparentam ser extremamente sujas e basta que se pare um pouquinho com os braços abertos para que elas venham rodear a pessoa, imaginando que se está com algo que elas possam comer nas mãos. As investidas que algumas dão levam invariavelmente a pessoa a querer proteger os olhos contra elas.

Minha afilhada foi inventar de andar no meio delas, se assustou e acabou caindo no chão, cheio de poças d'água àquela altura. No que ela caiu, dezenas de pombas foram pra cima dela, deixando a coitadinha em pânico. Minha prima teve que pedir para usar o banheiro de um restaurante ao lado para limpá-la depois do incidente.

Outra cena macabra foi ver que algumas aves maiores (acho que gaivotas) ficam à espreita das pombas nos prédios maiores. Quando encontram uma presa fácil, dão um rasante e saem com uma pomba no bico. Levam para uma marquise ou alto de uma coluna e, na frente de turistas surpresos, matam e arrancam as entranhas das pombas para comer, deixando cair no chão apenas uma "carcaça" cheia de penas... Muito dark!

A Basílica de San Marco, em compensação, é uma das coisas mais originais que já vi na vida. É muito diferente de qualquer outra igreja em que já estive. Seus detalhes, suas formas, seus mosaicos, tudo é surpreendente.
Ficamos cerca de meia hora na fila para conseguir entrar. Como não se pode levar mochilas nem bolsas grandes lá para dentro, deixamos nossas coisas com minha prima, que já conhecia o interior da Basílica. As filas se formam em cima de passarelas estrategicamente colocadas em frente à Basílica por causa das freqüentes enchentes que ocorrem na praça.

Lá dentro, tudo é muito escuro, mas muito bonito. O chão, todo feito em mosaicos, é todo irregular, por causa da umidade. A única parte que precisa pagar para conhecer é a capela subterrânea onde está o tesouro da igreja e o túmulo de São Marcos.
Só depois que saí da basílica é que percebi, ao lado dela, a Torre dell'Orologio, um dos símbolos da cidade (foto acima). O relógio é um dos poucos no mundo que tem as 24 horas num círculo, ao invés de apenas 12. Causa estranheza também a referência aos signos do zodíaco ao redor das horas. Bem no alto, um leão alado, símbolo da República Veneziana, uma das mais importantes do mundo nas idades Média e Moderna.

No lado oposto, e já de frente para o Canale di San Marco, fica o Palazzo Ducale, outro dos símbolos da cidade, antiga sede do poder local. Ali é que ficavam os "doges", governantes da República. Atualmente, o lugar é um museu aberto a visitação.
Da frente do Palazzo Ducale, tem-se a bela vista da igreja de San Giorgio Maggiore, numa pequena ilha bem distante da Piazza San Marco, onde só se chega de barco.
O tempo continuava feio e com uma chuvinha fininha, por isso decidimos seguir o passeio para o outro lado, em direção à Ponte dell'Accademia.

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