11/02/2008

La Paz - a chegada

A viagem entre Santa Cruz de la Sierra e La Paz levou umas 13hs. Nela é que se passa da planície (400m de altitude) para o altiplano (mais de 4000m), subindo a Cordilheira dos Andes. Como a maior parte do percurso foi feita à noite, não pudemos ver muita coisa. O que deu para perceber é que, a partir do início das montanhas, as estradas ficam bem piores, em grande parte em razão da chuva que desce dos Andes em determinados períodos do ano. Não há quase nenhum carro trafegando, apenas caminhões e ônibus.

Por volta da meia-noite, fui cutucado por um passageiro, que empolgadamente me disse: "Turista, turista! Mira: Cochabamba!" Deu para ter uma noção do tamanhão da cidade, uma das maiores do país.

Logo depois da meia-noite, todos dormimos. Acordamos por volta das 5hs da manhã, quando o ônibus parou para o pessoal ir até uns pedregulhos na beira da estrada fazer as necessidades. O ônibus viaja 13 horas, mas não tem banheiro nem pára para lanches. No máximo, encosta numa rodoviária no meio do caminho e deixa vendedores entrarem com comida, sem permitir que passageiros saiam. As crianças, como não se agüentam, ficam mijadas toda a noite - dá para imaginar o cheiro do ônibus...

Ao sair para fora, àquela hora, percebemos a mudança da paisagem: era tudo plano, mas bem mais frio, com apenas rochas e uma vegetação amarelada. Ao fundo, já se podiam ver alguns picos nevados. Assim foi até El Alto, nos subúrbios de La Paz.

Rua em El Alto

El Alto fica antes de La Paz, numa parte alta e plana. O aeroporto também é lá. Lar de milhares de trabalhadores de classes mais baixas, é o centro de algumas das revoltas políticas recentes no país. Assim que se sai da cidade, já se vê La Paz, meio que no fundo de um buraco. O centro de La Paz fica a uns 3600m, e El Alto a uns 4000, por isso pode-se ver uma cena impressionante como a dessas fotos, a partir da estrada:

O ônibus chegou na rodoviária por volta das 8hs. Seguindo orientações de um dos livros que tínhamos comprado, tratamos logo de encontrar a Plaza Eguino, que marca o início da Calle Illampu, região onde se situam vários hotéis e albergues utilizados por mochileiros estrangeiros.

Arredores da Rodoviária - Cervejaria Paceña ao fundo

Plaza Eguino, vista de cima

Depois de passarmos por uns 5 hotéis, nos decidimos pelo Continental, filiado à Hostelling International, bem no início da Illampu.

O choque inicial é grande: ao contrário do que imaginávamos, praticamente toda a população que se vê andando na rua é indígena. Todas as mulheres usam aqueles trajes tradicionais coloridos. As ruas são tomadas por comerciantes informais, que vendem de tudo na beira da calçada (comida, folhas de coca, grãos, tecidos, produtos de limpeza e de higiene, artesanato, etc). A impressão que dá é a de que o comércio formal foi sufocado pelos ambulantes que se instalaram na frente dos estabelecimentos e que, como não são mais nem vistos a partir da rua, deixaram de ser uma opção preferencial.

Tudo é muito movimentado na região onde ficava nosso hotel. Não há como usar a calçada, caminha-se pela rua. De tanto em tanto, uma buzina nos faz recuar um pouco para deixar carros e vans lotadas passarem. Os veículo também não conseguem trafegar a mais de 20km/h.

Um festival de cores, cheiros e diferenças anuncia que La Paz não é nada convencional para padrões ocidentais - acho que se tivesse que comparar, diria que deve estar mais próxima do Nepal (que não conheço) do que de São Paulo!

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