01/05/2008

Chegada em Munique

Munique é a maior cidade da Alemanha, mas parece uma cidadezinha do interior. Ao contrário do que se vê na Espanha, praticamente não há prédios altos, com mais de 4 andares, pelo menos na região central. Só as igrejas são mais altas que isso. Tudo é bem espalhado e, a não ser bem no centrão, há pouco movimento de pessoas na maior parte do dia.

Essas foram as primeiras impressões que tivemos de Munique, as quais não foram contrariadas nos outros três dias que passamos lá.

Saímos do U-Bahn na Hohenzollernplatz, um lugar com cara de zona residencial. Até o albergue, demos uma pernada enorme. Ninguém mandou não aceitar a recomendação do voucher de pegar um bonde até lá depois de sair do metrô, hehehe. Na verdade, foi pão-durice mesmo.

No caminho, vimos uma cena que se repetiria por tudo quanto é canto. Bicicletas encostadas nas casas, do lado de fora, sem qualquer cadeado ou proteção! E ninguém mexe!

Enquanto íamos caminhando, fomos pegando o jeito de andar por Munique: sempre tem que deixar livre o caminho da ciclovia, que ocupa metade da calçada (a linha branca divide cada lado). Se não, é buzininha de bicicleta na certa. A cidade é toda plana e por isso muita gente vai pedalando ao trabalho, à escola ou às compras. No metrô, há vagões em que a preferência é das bicicletas. Se você está sentado e entra alguém com uma, tem que levantar para que o sujeito erga o banquinho e prenda a bicicleta nuns ganchinhos na parede interna do vagão.

Depois de umas 10 quadras, chegamos no albergue. O nome era Haus International. Tinha sido um drama conseguir albergue na cidade, por causa da Oktoberfest. Num primeiro momento, havíamos conseguido reservas no Jaeger, mas depois nos passaram para trás e ficamos sem vagas, porque demoramos a confirmar. O Wombat, conhecido como o melhor da cidade, já não tinha mais vagas havia muito tempo.

Acabamos encontrando esse, que era muito bom, mas fazia mais o estilo "colegião", como muitos albergues na Alemanha. Cada país tem uma peculiaridade com relação a albergues; depois que se conhece alguns vai-se percebendo isso. Na Alemanha, a peculiaridade é o fato de que há gente literalmente de todas as idades sempre hospedadas nos albergues. É comum ver turmas de colégio inteiras, numa excursão, hospedadas, ou pais com filhos pequenos. Fica um clima bem família, mas também pode se tornar um inferno por causa da gurizada de escola.

O lugar era enorme, com tudo muito limpo, com café da manhã excelente, mas tinha essa cara de internato, de colégio, sei lá. Bem diferente de outros que até então eu tinha conhecido. Fica meio longe de tudo, a começar pela distância até a estação de metrô mais próxima. Serviu para organizar bem as coisas, com muito espaço, lockers amplos, banheiros legais e privativos em cada quarto (com dois beliches cada), mas não é um lugar a ser recomendado, a não ser como "quebra-galho", como foi a nossa situação. Se puder, fique num dos dois que eu falei acima...

Na recepção, aconteceu uma coisa que eu não imaginava: comecei a perceber como poucos alemães falam bem inglês. A dificuldade das moças da recepção em compreender e fazerem-se compreender era gritante. Isso se repetiu em vários lugares na cidade (restaurantes, lojas, transporte público) e, um ano depois, eu veria que em Berlin era a mesma coisa.

Já instalados no nosso quarto, depois de guardar as coisas, pegamos tudo o que havia de folhetos para ler sobre o que fazer na cidade. Como meus planos originais eram de conhecer apenas países mais ao sul da Europa, eu só tinha comprado o Lonely Planet "Mediterranean Europe", que não pegava nada da Alemanha. O Rafael só tinha levado 2 guias da Folha, o da Espanha e um só de Praga. Estávamos bem no escuro sobre o que fazer na cidade - afinal, só tínhamos ido para lá porque haveria mais uns 6 amigos do Rafael no lugar, para fazer uns dias de festa na Oktoberfest (que é em setembro, mas só termina em outubro).

Lembro que achei engraçado como a cidade se retratava nos folhetos turísticos... Era exatamente o estereótipo que se tem de alemão aqui no sul do Brasil: homens de calção verde ou marrom, com suspensórios e chapeuzinho verde, com uma camisa branca, e mulheres com vestidões cheios de babados, com trancinhas no cabelo. A cidade cultua exatamente isso. Estranho ver algo tão típico assumido com tanto orgulho.

5 comentários:

Anônimo disse...

Os alemaes nao falam bem ingles?!?!

Anônimo disse...

Comparando com países escandinavos, a Holanda e alguns outro, não!

Ricardo Pacheco disse...

Eu não esperava encontrar alemães muito simpáticos ou que falassem inglês mas surpreendentemente logo ao sair da estação de metrô com um mapa nas mãos procurando a rua para o albergue, um senhor alemão chegou perto perguntando se eu queria ajuda e rapidamente me indicou o caminho. No dia seguinte, estávamos esperando o metrô e um senhor puxou assunto com a gente em alemão, como não entendemos ele logo começou a falar em inglês perguntando de onde éramos e se estávamos gostando da Oktoberfest. Logo outro senhor chegou perto e puxou assunto com outro amigo meu, também em inglês. Muito simpáticos! Acho que essas impressões variam muito em função da sorte que damos de encontrar as pessoas certas...

Sara disse...

Que massa, bixo.. to pensando em ir pra alemanha, mas só falo inglês.. de alemão só tenho descendência mesmo.. mt bom ler a experiência de alguém que já foi (:

Anônimo disse...

alemao nao fala bem ingles??? falam sim , o problema e que eles falam o ingles americano e nao o aprendido em escola , e sotaque que define.. e um dos poucos paises que realmente da pra se virar falando ingles... tenta ir pra Franca pra ver se alguem fala ingles.. nem ingles nem outro idioma!!
morei 2 anos nos estados unidos , e quando vo pro brasil e meu irmao ou qualquer outra pessoa tenta falar ingles eu quase nao entendo!! tem muita diferenca entre o ingles que se aprende na escola e o que realmente e' usado!